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terça-feira, 21 de maio de 2013

Prefeitura de São Paulo apresenta plano para ampliar coleta seletiva em 1.000 toneladas/dia



Programa prevê a instalação de quatro centrais automatizadas de materiais recicláveis até 2016, que irão aumentar a capacidade de seleção das atuais 249 toneladas/dia para 1.249 toneladas/dia.


A Prefeitura Municipal de São Paulo apresentou nesta segunda-feira (20/5) um programa para ampliar a coleta seletiva e a reciclagem de materiais, das atuais 249 toneladas/dia para 1.249 toneladas/dia até o final da gestão. Apresentado pelo presidente da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana – AMLURB, Silvano Silvério, o plano prevê a instalação de quatro centrais automática de triagem de materiais, com capacidade unitária de processar 250 toneladas diárias.
As centrais automatizadas terão eletroímãs e separadores óticos de materiais, entre outras novidades tecnológicas que irão reduzir a necessidade de mão de obra.
Pelo cronograma anunciado, as duas primeiras centrais – que serão instaladas em Santo Amaro e na Ponte Pequena – deverão estar funcionando em junho de 2014. Sem locais definidos ainda, as outras duas deverão ficar prontas até dezembro de 2016.
De acordo com o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro, o programa permitirá que a coleta seletiva e a reciclagem na cidade sejam ampliadas de 1,8% (atual) para 10% de todos os materiais coletados. O objeito está incluído no Programa de Metas da Prefeitura (objetivo 15).
“Em médio prazo, a coleta seletiva irá atingir todos os distritos da cidade”, disse ele, lembrando que, atualmente, 75 dos 96 distritos de São Paulo são atendidos parcialmente pelo serviço. A instalação das quatro centrais de triagem de materiais recicláveis e a ampliação da coleta seletiva para todos os distritos da cidade também integram o Plano de Metas 2013/2016 (metas 71 e 72).
No evento de lançamento, o prefeito Fernando Haddad assinou as ordens de serviço para dar início aos projetos das duas primeiras centrais, que exigirão investimentos de R$ 20,2 milhões cada.  
Catadores preocupados com postos de trabalho
Algumas lideranças de catadores presentes ao evento mostraram preocupação com a possibilidade de as centrais automatizadas não resultarem em postos de trabalho para as pessoas que já atuam na área. “Nada mudou com a atual gestão”, lamentou Sérgio Bispo, da Cooperativa de Catadores da Baixada do Glicério. Segundo ele, a Prefeitura não se reuniu com a categoria para discutir o plano.     
Para Eduardo Ferreira de Paula, da Articulação do Comitê da Cidade dos Catadores de Materiais Recicláveis, não era isso que os catadores esperavam. “Cada central automatizada precisará de apenas 60 catadores para trabalhar”, registrou. Na avaliação de Paula, a Prefeitura deveria utilizar os recursos para investir nas cooperativas e na qualificação profissional dos catadores.   
Por outro lado, Roberto Laureano da Rocha, da Coordenação Nacional do Movimento dos Catadores de Materiais Recicláveis, se declarou “entusiasmado” com o plano anunciado. “Meu entusiasmo, em primeiro lugar, é pelo fato de a Prefeitura de São Paulo não estar optando pela incineração do lixo e sim pela reciclagem”, ponderou.
Ele também disse acreditar que os catadores terão participação ativa na implementação do programa. “A velocidade da Prefeitura foi maior que o movimento e faltou informação”, reconheceu. O líder dos catadores avalia que será necessário fazer as informações chegarem a todos os trabalhadores do setor. “Vamos fazer uma assembleia ou um encontro, para explicar melhor o programa”, anunciou.

Questionado sobre o assunto, o prefeito Fernando Haddad argumentou que o programa irá contemplar os catadores. “Nenhum catador será excluído”, garantiu.

Prefeitura de São Paulo lança convocatória para a Conferência Nacional do Meio Ambiente e Comitê de Implementação da PNRS

DECRETO Nº 53.924, DE 17 DE MAIO DE 2013


Veja o Decreto de convocação na íntegra abaixo:

"Convoca a Conferência Municipal do Meio Ambiente, bem como cria o Comitê Intersecretarial de Implementação da Política Municipal de Resíduos Sólidos.

FERNANDO HADDAD, Prefeito do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, CONSIDERANDO a necessidade de implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos no Município, em cumprimento ao disposto na Lei Federal nº 12.305, de 2 de agosto de 2010,
D E C R E T A:

Art. 1º Fica convocada a Conferência Municipal do Meio Ambiente, a ser realizada entre 1º de junho e 1º de setembro de 2013, em São Paulo, sob a coordenação das Secretarias Municipais de Serviços e do Verde e do Meio Ambiente.

Art. 2º A Conferência Municipal do Meio Ambiente desenvolverá seus trabalhos a partir do tema “Implementando a Política Nacional de Resíduos Sólidos no Município”.

Parágrafo único. O tema deverá ser desenvolvido de modo a articular e integrar as diferentes políticas urbanas relacionadas à Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Art. 3º Caberá aos Secretários Municipais de Serviços e do Verde e do Meio Ambiente instituir, mediante portaria intersecretarial, no prazo de 10 (dez) dias úteis, a Comissão Preparatória Municipal.

Art. 4º À Comissão Preparatória Municipal incumbirá definir a data, o local, o critério de participação, a elaboração de proposta do conteúdo, método, organização e funcionamento e a eleição dos delegados da Conferência Municipal do Meio Ambiente.

Art. 5º Fica criado o Comitê Intersecretarial de Implementação da Política Municipal de Resíduos Sólidos, com o objetivo de coordenar a Política Municipal de Resíduos Sólidos.

§ 1º O Comitê Intersecretarial será composto por representantes dos seguintes órgãos:
I – Secretaria Municipal de Serviços;
II - Secretaria do Governo Municipal;
III - Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente;
IV - Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania;
V - Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social;
VI - Secretaria Municipal do Trabalho e do Empreendedorismo;
VII - Secretaria Municipal da Saúde;
VIII - Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras.

§ 2º A coordenação do Comitê Intersecretarial caberá à Secretaria Municipal de Serviços.

Art. 6º O Comitê Intersecretarial contará com a colaboração de grupos de trabalho, neles ficando assegurada a participação da sociedade civil.

Art. 7º Ficam criados 5 (cinco) Grupos de Trabalho – GTs,com as seguintes atribuições:

I – GT-1 - elaboração do Plano Municipal de Educação Ambiental e Comunicação em Resíduos Sólidos;

II - GT-2 - coordenação e reelaboração do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos do Município de São Paulo, incluindo o Plano para o Sistema de Coleta Seletiva;

III - GT-3 - elaboração do Programa de Coleta Seletiva Solidária nos próprios municipais, com a inclusão dos catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis;

IV - GT-4 - coordenação e implementação das ações de manejo dos Resíduos da Construção Civil – RCC;

V - GT-5 - proposição de instrumentos normativos e legais para a Política Municipal de Resíduos Sólidos.

Parágrafo único. Os Grupos de Trabalho serão coordenados pelo Comitê Intersecretarial de Implementação da Política Municipal de Resíduos Sólidos.

Art. 8º O Comitê Intersecretarial elaborará, no prazo de 15 (quinze) dias, o Regimento Interno de seu funcionamento e dos Grupos de Trabalho - GTs.

Art. 9º Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, aos 17 de maio de 2013, 460º da fundação de São Paulo.
FERNANDO HADDAD, PREFEITO
SIMÃO PEDRO CHIOVETTI, Secretário Municipal de Serviços
RICARDO TEIXEIRA, Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente
ANTONIO DONATO MADORMO, Secretário do Governo Municipal
Publicado na Secretaria do Governo Municipal, em 17 de maio de 2013."

Diário Oficial da Cidade de São Paulo:

http://www.docidadesp.imprensaoficial.com.br/NavegaEdicao.aspx?ClipID=BBE3E3IK7BA06eBAIDAHK3F74H9&PalavraChave=53.924

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Solteiros reciclam menos que casados, mostra pesquisa feita no Reino Unido


Segundo estudo realizado no Reino Unido, mulheres reciclam mais

Por mais incrível que possa parecer, a situação amorosa das pessoas tem correlação direta com seus hábitos de reciclagem. Esse foi o resultado de uma pesquisa que faz parte do projeto Undestanding Society do Conselho de Pesquisa Econômica e Social do Reino Unido, realizado pela Universidade de Essex.
Dos 2.000 solteiros que participaram da pesquisa, apenas 65% afirmaram que reciclam o lixo doméstico. Deles, 69% mulheres solteiras fazem algum tipo de reciclagem, enquanto 58% dos homens dizem fazer o mesmo. Por outro lado, 79% dos 3.000 casais responderam que reciclam.
O que se percebeu nessa pesquisa é que as mulheres são as que mais reciclam o lixo doméstico. De acordo com Hazel Pettifor, que liderou a pesquisa, isso provavelmente acontece por uma questão cultural. Enquanto as mulheres preparam os alimentos e lavam a louça, momentos em que a reciclagem é mais propícia, o homem tem o costume de apenas levar o lixo para fora.
A pesquisa também mostra que quando os casais distribuem as tarefas domésticas, os homens adquirem o hábito de reciclar. Mas mesmo nesse caso, as mulheres mostram mais disposição para separar e reciclar o lixo doméstico.
Trata-se de estudo baseado em uma sociedade, a princípio de hábitos bastante diferentes dos nossos e generalizar nunca parece um caminho prudente, mas enquanto estudos dessa natureza não aparecem por aqui, vale à pena refletirmos sobre a condição apurada naquela cultura. Importa não deixar que o fato de você ser solteiro ou homem afete seus hábitos de reciclagem. Nunca é tarde para começar.

(Fonte: http://www.ecycle.com.br)


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Vídeo contextualiza situação catadores em Bogotá


Vídeo que retrata a situação dos catadores de materiais na Colombia.

Título do Vídeo: Cronicas de una lucha por la inclusion - Recicladores en la crisis de la basura em Bogotá.
Produção: Women in Informal Employment: Globalizing and Organizing (WIEGO)



Desafios para Haddad para a coleta seletiva



Em quatro perguntas Nina Orlow aponta, para o Jornal "O Estado de SãoPaulo", desafios para novo prefeito de São Paulo em relação ao desenvolvimento da coleta seletiva.
Veja na integra

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Curitiba testa novo sistema de coleta de lixo

Fonte: Jornale

Um novo sistema de armazenagem de lixo, em que os resíduos depositados pela população não ficam expostos no meio ambiente. Os testes da chamada coleta conteinerizada subterrânea estão sendo feitos em uma área no Parque Barigui.

O sistema está sendo implantado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e consiste em sete ilhas, com dois totens, para lixo orgânico e inorgânico ligados a conteiners com quatro metros cúbicos de capacidade de armazenagem. “É um sistema novo que diminui o impacto visual causado pelo acúmulo do lixo, inibe a ação de animais que muitas vezes espalham o lixo pelos arredores e ainda a proliferação de odores e insetos”, afirmou o prefeito Luciano Ducci.

Para a coleta, a empresa responsável pelo recolhimento do lixo, adaptou um caminhão com uma grua, que funciona de maneira semi-automática. O sistema não teve nenhum custo para o município e ficará em testes por seis meses.

“A coleta continua sendo feita três vezes por semana, nas segundas, quartas e sextas-feiras. Neste primeiro momento um caminhão será responsável por este serviço, já que as ilhas foram instaladas apenas no Parque Barigui”, ressalta Edélcio Marques, diretor do departamento de limpeza pública da Secretaria do Meio Ambiente.

Além deste caminhão adaptado, a secretaria está adaptando mais um caminhão compactador com redução no fator de prensa. Este caminhão será responsável por recolher o lixo reciclável armazenado nas ilhas.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Brasileiros estão dispostos a separar o lixo em casa, mostra pesquisa Ibope


Pesquisa aponta ainda que 36% não concordam com a existência de uma taxa do lixo
28 de novembro de 2012 
Fonte: Agência Brasil
SÃO PAULO - A maioria (85%) dos brasileiros que ainda não conta com coleta seletiva estaria disposta a separar o lixo em suas casas, caso o serviço fosse oferecido nos municípios, aponta pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 28, pelo Programa Água Brasil. Apenas 13% dos entrevistados declararam que não fariam a separação dos resíduos e 2% não sabem ou não responderam. O estudo, encomendado ao Ibope, entrevistou 2.002 pessoas em todas capitais e mais 73 municípios, em novembro do ano passado.
Apesar da disposição em contribuir para a destinação adequada dos resíduos sólidos, o porcentual dos que não têm meios para o descarte sustentável chega a 64% dos entrevistados. A quantidade de pessoas que contam com coleta seletiva ou que têm algum local para deixar o material separado representa 35% da amostra.
Em relação aos produtos que costumam ser separados nessas casas, as latas de alumínio ficam em primeiro lugar, com 75%, seguidas pelos plásticos (68%), papéis e papelões (62%) e vidros (55%). Os eletrônicos, por outro lado, são separados por apenas 10% dos entrevistados. Cerca de 9% dos entrevistados não separam nenhum material mesmo que o serviço de coleta seletiva esteja implantado na sua região.
Dos que contam com o serviço de coleta seletiva, metade (50%) dos casos tem a prefeitura como responsável pelo trabalho. Catadores de rua (26%), cooperativas (12%) e local de entrega (9%) aparecem em seguida dentre os meios de coleta disponíveis.
O estudo aponta também que a proposta de uma tarifa relacionada ao lixo divide opiniões. A ideia de que quem produz mais resíduos deve pagar uma quantia maior é aprovada completamente por 13% dos entrevistados, 23% concordam parcialmente. Os que discordam completamente a respeito do pagamento da taxa somam 36%. Há ainda os que não concordam, nem discordam (16%) e os que discordam em parte, com 10%.
Na hora de consumir, práticas sustentáveis ainda são deixadas de lado. Preço, condições de pagamento, durabilidade do produto e marca lideram as preocupações do consumidor brasileiro. O valor do produto, por exemplo, é considerado um aspecto fundamental por 70% dos entrevistados. Características do produto ligadas à sustentabilidade, no entanto, como os meios utilizados na produção, o tempo que o produto leva para desaparecer na natureza e o fato de a embalagem ser reciclável, ficam em segundo plano.
Os entrevistados responderam ainda quais produtos devem ser menos usados em suas casas nos próximos três anos. O campeão foi a sacola plástica. O produto é comprado com frequência em 80% das residências, mas 34% dos entrevistados esperam reduzir o consumo. Em seguida aparecem os copos descartáveis (31%), bandejas de isopor (22%) e garrafas PET (21%). No fim da lista, entre os que devem permanecer com alto porcentual de consumo, estão os produtos de limpeza perfumados. Apenas 9% estimam que irão reduzir o uso desses materiais.
O Programa Água Brasil é uma iniciativa do Banco do Brasil, da Fundação Banco do Brasil, da Agência Nacional de Águas (ANA) e da organização não governamental WWF-Brasil, com intuito de fomentar práticas sustentáveis no campo e na cidade.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Catadores querem inclusão na cadeia de materiais recicláveis durante Copa do Mundo


01/12/2012
São Paulo – A gestão de resíduos sólidos nos grandes eventos, inclusive a Copa do Mundo de 2014, é uma das principais expectativas de catadores de materiais recicláveis de todo o país. O tema foi debatido desta semana durante os três dias da Expoctadores, evento que reuniu em São Paulo centenas de catadores, além de empresas, gestores públicos e organizações da sociedade civil dedicadas ao tema da sustentabilidade.
“Nossa preocupação é que as embalagens e todos os descartáveis produzidos durante a Copa possam ser mais sustentáveis, contribuindo assim para a diminuição de resíduos para o meio ambiente”, afirmou à RBA Roberto Laureano da Rocha, membro da coordenação do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). “Também buscamos nossa inserção na prestação desse serviço de recolha desses materiais, para destiná-lo de forma correta, impedindo que sejam encaminhados aos aterros sanitários ou lixões.”
Além de fonte de materiais reutilizáveis – e de renda para os catadores –, a Copa do Mundo também é vista como oportunidade para alavancar a reciclagem no Brasil, inclusive de um produto que não costuma figurar entre os campeões da coleta seletiva: o óleo vegetal. De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Ibope por encomenda da organização ambientalista WWF, apenas 21% dos brasileiros atendidos pelo serviço se lembra de separar o óleo e enviá-lo para a reciclagem.
Vitrine
Segundo o especialista em reutilização de resíduos Vinícius Scaramel, nem mesmo os trabalhadores do setor têm consciência de que o óleo vegetal pode ser reciclado. “Normalmente, quando encontra uma garrafa plástica cheia de óleo na rua, o catador acaba esvaziando seu conteúdo pra ficar apenas com a PET”, conta, “muitas vezes sem saber que o litro de óleo vale mais do que o quilo do plástico nos postos de reciclagem.”
Mas não se trata apenas de dinheiro. Scaramel lembra que apenas um litro de óleo vegetal – aquele que jogamos na pia depois de fritar a mistura do almoço – é capaz de poluir até 25 mil litros de água. “O Brasil consome 1,6 bilhão e descarta 1,4 bilhão de litros de óleo por ano”, sustenta, com base em levantamento realizado pela Casa Civil da Presidência da República. “Apenas 160 milhões de litros são reciclados” – em parte graças ao trabalho de catadores que já despertaram para a questão.
Scaramel representa um projeto chamado Bioplanet, que conta com apoio de instituições governamentais e empresariais, além de organizações de catadores, para atingir a meta de produzir no país 25 milhões de litros de biodiesel a partir de óleo vegetal reciclado até 2014. “A Copa será a vitrine para mostrar nosso trabalho”, propõe. Daí a ideia de colocar ônibus movidos com biodiesel reciclado para transportar os jogadores da Seleção até o estádio nos dias de jogos, quando há ampla cobertura da mídia mundial.
Transparência
A Copa do Mundo também é mote para o trabalho que o Instituto Ethos veio apresentar na Expocatadores. A entidade trabalha pela responsabilidade social das empresas e pela transparência da gestão governamental. E é transparência que a iniciativa “Jogos limpos dentro e fora dos estádios” pretende espraiar pela gestão das obras que estão sendo realizadas nas 12 cidades brasileiras que sediarão as partidas do principal torneio de futebol do planeta. “Queremos empoderar a sociedade para exercer o controle social, garantir a transparência na administração dos recursos e viabilizar melhores políticas públicas”, explica Felipe Saboya, que coordena o projeto pelo Instituto Ethos.
Talvez o maior objetivo da transparência seja evitar a corrupção. Por isso, o “Jogos limpos dentro e fora dos estádios” está firmando acordos com empresas líderes dos setores hospitalar, construção civil, energia e transporte para que primem pela integridade – sobretudo quando forem assinar contratos com o poder público. Outra estratégia é a elaboração de indicadores de transparência, que vão classificar periodicamente as cidades-sede de acordo com a rapidez, qualidade e quantidade de informação sobre a Copa que suas prefeituras disponibilizam à sociedade.
O ranking se apoia sobre a Lei de Acesso à Informação, que passou a vigorar em todo o país no último 16 de maio, e determina que todas as instituições públicas e governamentais devem prestar informações requeridas por quem quer que seja em no máximo 20 dias. Os primeiros resultados já saíram. “As cidades-sede mais transparentes até agora foram Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS)”, informa Saboya, destacando que ainda assim estão longe do ideial. “As demais capitais possuem todas nível muito baixo de transparência.”

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Fornecedores de sucata tentam evitar criação de taxa para exportação


ComexLinks | @comexblog
As empresas brasileiras de sucata de aço se reúnem hoje, em Brasília, com representantes do governo, para manifestar sua oposição a uma eventual taxação de suas exportações. O pedido para que houvesse uma tarifa sobre a exportação sucata brasileira foi feito pelo Instituto Aço Brasil (IABr), que representa as companhias siderúrgicas, segundo o Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Inesfa).
A sugestão do IABr ao governo brasileiro foi a adoção de uma taxação – ou outro tipo de restrição – às exportações brasileiras de sucata quando os países de destino tiverem medidas semelhantes para o Brasil, de acordo com o Inesfa. No entanto, as companhias de sucata afirmam que a medida prejudicaria o setor.
A consequência natural seria a redução das exportações, já que ficariam menos rentáveis com uma taxa adicional. Com isso, a tendência é de aumento da oferta no mercado doméstico e de queda dos preços. “Se o valor cair por meio de um artifício tarifário, é natural que vejamos um desestímulo aos catadores, separadores e processadores da sucata de aço no Brasil,” afirma André de Almeida, diretor jurídico do Inesfa. Ele diz que as três categorias foram prejudicadas com a falta de demanda após a crise de 2008, buscaram clientes no exterior. “Eles devem ter o direito de vender para quem oferecer ao melhor preço,” acrescenta.
Apesar de o volume de sucata de aço exportada no Brasil ser pequeno – cerca de 2,5% da produção, principalmente para a Índia e Paquistão -, tem um efeito importante na formação de preços, já que as cotações internas tendem a ser equivalentes às externas, diz o diretor do Inesfa.
Na visão das companhias de sucata, a tarifação das exportações não estaria alinhada com a política industrial brasileira, uma vez que o governo brasileiro costuma defender justamente o oposto: incentivar exportações. “Somente se tarifa exportação quando existe um objetivo político”, diz Almeida, acrescentando que uma medida neste sentido deve gerar benefícios para as grandes empresas de siderurgia brasileiras.
Segundo o Inesfa, o IABr, que representa essas companhias, informou no início deste semestre que formalizou um pleito à secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Prazeres, para que o governo brasileiro adote medida de reciprocidade com os países que instituíram restrições as suas exportações de sucata de aço.
Procurado, o IABr afirmou que seu porta voz não tinha disponibilidade para falar sobre o tema até o fechamento desta edição. Segundo a Câmara dos Deputados, onde será a audiência, participarão Cristina Yuan, diretora de Assuntos Institucionais e Sustentabilidade do IABr, e Tólio Edeo Ribeiro, coordenador de Indústrias Intensivas em Recursos Naturais do MDIC.
Por Olívia Alonso | De São Paulo
Valor Econômico - 06 de novembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ministra afirma que classe média está, a cada dia que passa, dando mais valor à coleta seletiva


 

Conquistas, desafios e perspectivas da reciclagem e coleta seletiva no Brasil foram discutidos nesta sexta-feira (31/08) durante o Seminário Política Nacional de Resíduos Sólidos: A Lei na Prática. O encontro, promovido pelo jornal Valor Econômico no Teatro Tom Jobim do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, reuniu representantes do governo, sociedade, empresas, associações e organizações não governamentais (ONGs). Participaram dos debates a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Pedro Wilson. 

Para a ministra, as discussões em torno da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) devem ser distribuídas em três blocos: a questão do que, de fato, a política demanda do Brasil; a visão de consumo do brasileiro, principalmente no que diz respeito aos resíduos sólidos e como essas duas questões anteriores se relacionam, no âmbito da reciclagem e do papel do catador de lixo no país. “A tecnologia e infraestrutura irão determinar qual o melhor caminho para trilhar o desenvolvimento da Política”, disse. Além disso, as diferenças regionais devem ser destacadas durante as discussões, já que os debates passam tanto pelas grandes cidades quanto os pequenos municípios. 

COMPROMISSO MAIOR

O que o brasileiro pensa a respeito do consumo e dos resíduos sólidos também foi focado por Izabella durante o seminário. Recentemente, o Ministério do Meio Ambiente realizou pesquisa sobre o tem. O trabalho apurou, entre outros aspectos, que a classe média está cada vez mais compromissada quando o assunto é reciclagem. A ministra destacou, ainda, o desenvolvimento da categoria de catadores de lixo como forma de fortalecer a PNRS, gerando benefícios sociais, econômicos e ambientais, e a organização da categoria em cooperativas, fortalecendo e gerando escala no processo de criação das cooperativas.

Como parte da programação do seminário, a associação sem fins lucrativos Compromisso Empresarial Para Reciclagem (Cempre) apresentou os números da pesquisa Ciclosoft 2012, realizada de dois em dois anos, com números atualizados mês a mês diretamente com as hoje 766 prefeituras de municípios que operam com programas de coleta seletiva. O diretor-executivo da entidade, André Vilhena, situou, geograficamente, a localização desses municípios: 14 na região Norte, 18 no Centro-Oeste, 401 no Sudeste, 257 na Sul e 76 no Nordeste.

Em linhas gerais, ele descreveu o que pode ser notado com a avaliação dos resultados da pesquisa, que apontou, ainda, dados relacionados ao volume coletado em cada região, acesso aos programas municipais, separação por tipo de material, participação de cooperativas e catadores, entre outros. “É uma evidência que a PNRS já traz benefícios e impactos positivos palpáveis”, citou. Ele também apontou os gargalos municipais quando o assunto é capacitação técnica, a conscientização crescente da população com o tema reciclagem e que a contratação das cooperativas pelas prefeituras traz benefícios, além de econômicos e ambientais, sociais.

TODOS POR UM

Conhecido em todo o Brasil como um dos principais representantes da categoria, Severino Lima, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) no Rio Grande do Norte, afirmou que, para a PNRS “deslanchar” e seguir com todo o sucesso é preciso investir no desenvolvimento da categoria, com incentivos e recursos adequados. Segundo ele, em Natal os benefícios das cooperativas de catadores de lixo são visíveis.

“Pessoas como eu que fazem parte do movimento estão felizes em ver que o trabalho de coleta seletiva esta dando certo em Natal, contratando catadores e cooperativas para ajudar no processo”, diz Lima. Segundo ele, a PNRS incentivou e possibilitou que o governo local empregasse catadores no trabalho de coleta seletiva, além de contratar das cooperativas com dispensa de licitação. “Assim, conseguimos ajudar o Estado e o país promove a inserção social e economia dos profissionais da coleta seletiva e preservadores do meio ambiente”, finaliza.

Sophia Gebrim
enviada especial MMA
http://www.mma.gov.br/informma/item/8640-res%C3%ADduos-s%C3%B3lidos-na-pr%C3%A1tica

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Imagens do lixo no interior do país

Os municípios de todo o país enfrentam um enorme desafio na gestão dos resíduos sólidos urbanos diante da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) e a Cicla Brasil segue conhecendo a realidade para buscar formas de contribuir com este processo.
Abaixo você pode ver uma amostra das imagens registradas no interior de Goiás em agosto de 2012.











quarta-feira, 16 de maio de 2012

Cooperativa de reciclagem gera renda de R$ 1,5 mil para 90 trabalhadores na Grande São Paulo



As cooperativas de trabalhadores tornaram-se nos últimos anos uma boa alternativa para milhares de brasileiros que encontram dificuldades para entrar no mercado de trabalho. A economia solidária, que passa praticamente despercebida por boa parte da sociedade, gera renda para 2,3 milhões de pessoas no país e movimenta, em média, R$ 12,5 bilhões por ano. Segundo levantamento da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), existem no país 30.829 empreendimentos econômicos solidários e o faturamento deles chegou a 0,33% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2010 (R$ 3,7 trilhões).
Um bom exemplo de economia solidária é a Cooperativa de Catadores Autônomos de Materiais Recicláveis da Vila Esperança (Avemare), criada há seis anos por 40 pessoas, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, após a prefeitura fechar o lixão da cidade. Hoje, a Avemare tem 90 cooperados, que conseguem uma renda média mensal de R$ 1,5 mil.
Segundo Iraci Alves, de 57 anos, que deixou a Bahia há 19 anos com seus três filhos, a situação dela e dos cooperados melhorou muito após a criação da Avemare. “Vim buscando uma condição de vida melhor, mas acabei indo trabalhar no lixão de Santana de Parnaíba. Conseguíamos tirar nosso sustento, mas era uma situação muito perigosa para a nossa saúde”, lembra. A história de Iraci é muito parecida com a da maioria dos associados.
A cooperativa começou reciclando 60 toneladas de materiais e, hoje, alcança uma média de 375 toneladas por mês, mas já teve pico de 500 toneladas, de acordo com Iraci. “Com 60 toneladas não dá nem pra rodar uma esteira”, relembra. Agora, a cooperativa conta com duas esteiras, além de empilhadeiras e prensadeiras, totalizando R$ 1 milhão de reais em equipamentos. “A verba veio de parceiros, da prefeitura, mas também de investimentos próprios”, diz. A cooperativa é responsável pela reciclagem de 12,5% das 3 mil toneladas de resíduos produzidos na cidade.
“No início, a principal dificuldade foi trabalhar em grupo, porque antes, no lixão, era cada um por si”, lembra. As dificuldades encontradas no começo, no entanto, fazem com que a cooperada valorize ainda mais as conquistas alcançadas por meio da organização dos colegas catadores. Assim como Iraci, a maioria dos cooperados é formada por pessoas vindas de outros estados e com baixo nível de escolaridade.
“Agora trabalhamos com itens de segurança, fazemos as refeições na cooperativa, temos uma creche municipal pertinho, temos horário fixo de trabalho e podemos sair para ir ao médico, se precisarmos, por exemplo”, diz Iraci. Contribuição para Previdência Social e licença maternidade foram outros benefícios trabalhistas assegurados. “No lixão, as mulheres voltavam ao trabalho apenas um mês depois de dar a luz, porque precisavam do dinheiro para sustentar a família”.
Iracilda Alves, de 28 anos, é filha de Iraci e começou a trabalhar no lixão aos 9 anos de idade, junto com a mãe e os irmãos. Ela conta que na cooperativa, mais do que conseguir seu sustento, se sente valorizada como profissional. “Aqui aprendi a usar computador e conquistei a casa própria. Jamais pensaria em voltar para o lixão. Por outro lado, não penso em sair da Avemare”, diz.
Hoje, Iracilda é responsável pelo setor administrativo da cooperativa. Com o crescimento profissional, ela pensa em retomar os estudos, que foram abandonados na 8ª série do ensino fundamental, e se capacitar na área administrativa. Agora, ela pode ver as filhas Eduarda, de 7 anos, e Isabela, de 2, crescerem sem enfrentar as dificuldades pelas quais passou. “Elas vão ter uma infância completa e ter oportunidades de crescer com os estudos”, comemora.
Atualmente, a cooperativa conta com um lista de espera de cerca de 200 pessoas interessadas em trabalhar lá. Um dos recém-chegados é Jonas dos Santos, de 35 anos, que chegou há apenas três semanas e comemora a vaga conquistada. “Antes recebia mais ou menos R$ 500 como borracheiro e agora espero ganhar mais. Além disso, você ajuda a natureza, porque a cidade avança e acaba com tudo”, disse o cooperado.
De acordo com a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), houve um acréscimo de 88% de pessoas inseridas na economia solidária entre 2005 e 2011. O Ministério do Trabalho define a economia solidária como uma forma “diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem.” (Fonte: Camila Maciel/ Agência Brasil) 14/05/2012

sábado, 20 de agosto de 2011

“LIXOS URBANOS”

De: Jair do Amaral <jaircrescer@terra.com.br>


Algumas embalagens “ditas” recicláveis são verdadeiros “lixos urbanos”. 
Nas maiores e melhores das intenções as pessoas e cooperativas de reciclagem, acreditando na “causa” e na importância da coleta seletiva para geração de trabalho, renda e preservação ambiental, separam, coletam, processam, armazenam e “tentam” comercializar algumas embalagens que são, no mínimo, inconvenientes nesse meio ambiente.
O nosso e já bem conhecido símbolo da reciclagem está lá, demarcado nessas embalagens, mas as realidades logísticas, operacionais e mercadológicas desses resíduos os transformam em verdadeiros LIXOS no meio da reciclagem.
Cadê as empresas fabricantes destas embalagens ou que as utilizam para “abrigar” suas mercadorias ou produtos?
Cadê os fabricantes e utilizadores das embalagens laminadas que não oferecem as mínimas condições para que esses resíduos não vão parar no rejeito ou aterro sanitário? 
A destinação final é um transtorno pela falta de cliente. Quando este é localizado suas exigências de estoque e preços de compra são, no mínimo, uma brincadeira. As pessoas separam, a cooperativa coleta, tria, prensa, armazena e a comercialização é uma incógnita ou é feita só para não destinar ao aterro sanitário. As cooperativas são armazéns desse lixo, pois sua reciclagem não gera renda, só trabalho.
Nessa mesma toada podemos citar também as embalagens longa vida. Preço de mercado insignificante perante o trabalho que gera. Neste caso temos o agravante de que essas embalagens geram mau cheiro e atraem insetos e outros vetores que alimentam-se da podridão desses resíduos enquanto também é buscada uma alternativa rentável de comercialização. Difícil... Valor de mercado ridículo e exigências de estoque são para que as cooperativas fiquem com esse Lixo até não agüentar mais e “doar” para alguém.
Outra situação que é um absurdo é a do vidro. Esse material é o que mais gera acidente de trabalho numa cooperativa, é o que mais trabalho dá e o que menos renda gera. Sempre foi um transtorno. Para ser rentável, só vendendo para “garrafeiros”. Mas se uma cooperativa resolve fazer isto corre um sério risco de se ver envolvida com falsificação de bebidas, perfumes ou embalagens ilegais de palmitos, etc. 
Cadê os fabricantes e “utilizadores” destas embalagens? Onde está a logística reversa? Quando o valor desse “lixo” gerará renda para os catadores?
A incoerência é transparente quando falamos das tão famosas sacolinhas plásticas. Essa embalagem que tem (tinha) excelente valor de mercado e realmente gerava renda, além de trabalho, foram as escolhidas por supostos ambientalistas de escritório e especialistas na arte dos Erres (Rs) para demonstrar o desconhecimento na área.  Ainda bem que a justiça avaliou os empregos que estavam em jogo com esta ação paliativa de redução de resíduos. A utilização ou não do resíduo deve partir do consumidor e não proibir a embalagem, ao menos nos casos das verdadeiramente recicláveis e que geram renda na coleta seletiva. É a mesma situação de uma lei que proibiria a garupa nas motos para reduzir os assaltos. Prefiro que proibam as embalagens de salgadinhos, bolachas, bandejinhas de isopor, longa vida, etc…
Cadê os fabricantes ou utilizadores das embalagens de papelão colorido (misto – caixas de sapatos, pizzas, remédios, perfumes, enfim, quase tudo). Diferentemente das embalagens longa vida, essas não geram mau cheiro e não atraem ratos, baratas e insetos diversos, mas seu preço de mercado sempre foi ridículo e não vislumbramos a intervenção dos geradores desse “lixo” para que isso mude.
Cadê os fabricantes ou utilizadores das embalagens de Iogurtes (P.S.).  Mesma situação da longa vida, ou seja, difícil comercialização, péssimo na geração de renda  e atrativo de vetores diversos.
Podemos ir além e citar outros (isopor, jornal, revista, acrílico, tubos de TV e computador, lâmpadas, óleo vegetal usado, etc)... 
Já faz mais de um ano que a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada e este artigo/manifesto vem de quem trabalha e tenta fazer da coleta seletiva uma atividade rentável para populações em situação de risco social e que tem nesta atividade a clara situação prática do tripé da sustentabilidade (econômico, social e ambiental).
Chamo aqui a atenção desses fabricantes e marcas geradoras de resíduos não rentáveis e inconvenientes à coleta seletiva para que façam sua parte no compartilhamento da responsabilidade pra que estes “lixos urbanos” tornem-se resíduos recicláveis rentáveis.
JAIR DO AMARAL – COOPERADO FUNDADOR
COOPERATIVA DE RECICLAGEM CRESCER

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Porque nem todos os materiais são recicláveis?

Quando destinamos nossos materiais recicláveis para a coleta seletiva é importante saber que nem tudo vai ser efetivamente reciclado. Mesmo que tudo seja reciclável, sempre uma parte deste material ainda é descartada em locais de destinação final de resíduos, como aterros e lixões, devido a diversos fatores.
Para entender melhor porque isso ocorre e responder à pergunta do título é importante lembrar que até recentemente não havia um marco legal regulatório em favor da reciclagem, deixando-a totalmente a mercê da viabilidade econômica.
A reciclagem é uma complexa cadeia produtiva composta por vários segmentos industriais independentes entre si. Estes segmentos atendem mercados diversos, abastecidos por uma rede de comércio de materiais recicláveis. Esta rede é suprida por resíduos domésticos, coletados por catadores ou programas municipais de coleta seletiva, e por resíduos recicláveis industriais.
Os materiais encaminhados para a reciclagem serão efetivamente reciclados se houver indústria que os recicle, e a existência dessa indústria é possível desde que a transformação seja economicamente viável.
Assim, podemos afirmar que, para que a reciclagem ocorra, o custo de coleta, transporte e transformação não pode inviabilizar a comercialização lucrativa dos produtos transformados, dentro dos diversos mercados que os consomem. Neste sentido quando não há viabilidade econômica para a transformação de um material, normalmente ele é considerado rejeito da reciclagem e acaba sendo tratado como lixo.
A partir deste raciocínio vamos tratar de dois elementos básicos que inviabilizam a reciclagem: por um lado a distância das indústrias, e por outro o custo de transformação.

Distância das indústrias
Quando falamos da distância das indústrias de transformação, percebemos que algumas vezes há materiais que são recicláveis em uma determinada região, mas não são em outra que está mais afastada das indústrias consumidoras. Por exemplo, as embalagens longa vida cartonadas, que nas regiões sul e sudeste tem relativa facilidade de comercialização, mas nas regiões mais distantes dos pólos produtivos a maior parte deste material é descartada junto ao lixo comum. O mesmo fator influencia na reciclagem de todos os materiais.

Materiais de difícil reciclagem
Muitos materiais, para serem efetivamente reciclados, precisam passar por processos de produção que encarecem a transformação e inviabilizam a reciclagem. É o caso das embalagens de bandejas de isopor, comuns nas redes de supermercados. Este material é utilizado na maior parte de vezes para acondicionar produtos como carnes e frios, que contaminam o material e inviabilizam a reciclagem, transformando-o em lixo comum.
Estes são alguns dos muitos fatores econômicos que podem inviabilizar uma reciclagem total dos materiais. Futuramente trataremos de mais fatores que interferem no desenvolvimento da reciclagem no Brasil.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Vale a pena separar os materiais por cores?

Quando se trata de coleta seletiva, muitas pessoas lembram-se do sistema de separação por cores de acordo com o tipo de material. A grande questão é: Vale a pena separar por cores no Brasil?

O sistema de cores da reciclagem no Brasil é resultado de uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA - Resolução N° 275 De 25 de Abril 2001), que se baseou em modelos internacionais, sem uma avaliação consistente da sua aplicabilidade no contexto nacional.
A resolução considera que “a reciclagem de resíduos deve ser incentivada, facilitada e expandida no país, para reduzir o consumo de matérias-primas, recursos naturais não-renováveis, energia e água”, mas o fato é que a separação em cores não contribui com estes objetivos no contexto nacional.
Eis alguns motivos pelos quais não vale a pena separar por cores:

1)       Separação para o mercado da reciclagem:
No Brasil a base da cadeia produtiva da reciclagem são as unidades de triagem de materiais de origem pós-consumo, ou seja, os materiais separados do lixo comum doméstico. Todos esses estabelecimentos trabalham como uma indústria, em que existe uma só linha de produção, onde são separados todos os materiais oriundos da coleta. Sendo assim, a divisão em cores não facilita a separação.

2) Coleta de materiais recicláveis:
Muitas pessoas ficam decepcionadas ao saber que separaram o material em casa ou no trabalho pelo sistema de cores e, ao ser coletado, o material reciclável misturado novamente, sendo separado apenas do lixo comum. Se fosse realizada uma coleta com caminhão utilizando o sistema de cores, seria necessário que toda a organização da coleta fosse planejada em função delas. Ou o caminhão teria que ter compartimentos internos para cada tipo de material, ou a coleta precisaria ser feita com caminhões diferentes, específicos de cada cor e, posteriormente esses materiais deveriam ser encaminhados para organizações especializadas em cada tipo de material, o que não existe na realidade brasileira.

Estes são os principais aspectos que dificultam a implantação do sistema de cores. Atualmente ela é utilizada com caráter mais pedagógico do que prático. Nesse sentido, é importante refletirmos se não seria mais eficiente focar os esforços de educomunicação a fim de promover a separação de materiais recicláveis e lixo comum de forma mais simples e objetiva. Acreditamos que desta forma a reciclagem de resíduos seria de fato “incentivada, facilitada e expandida no país”, como considera a Resolução do Conama.
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