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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Créditos de Catadores recebem maior votação na Conferência de Meio Ambiente do RJ


Proposta de Créditos de Logística Reversa será levada para Conferência Nacional de Meio Ambiente
Rio de Janeiro, 15 de setembro de 2013
A proposta de uso de Créditos de Logística Reversa dos Catadores, desenvolvida conjuntamente pelo Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e bolsa de valores ambientais BVRio, recebeu a maior votação no segmento Criação de Emprego e Renda, e segundo lugar entre todos os participantes da Conferência de Meio Ambiente do Rio de Janeiro. (Veja vídeo em www.youtube.com/users/canalbvrio ).
A conferencia se realizou na UERJ neste ultimo final de semana, e contou com a participação de cerca de 400 delegados, representando entidades do setor público, privado e terceiro setor, incluindo cooperativas de catadores, de vários municípios do Estado do Rio de Janeiro.
As propostas selecionadas nesta conferencia serão encaminhadas para a IV Conferência Nacional de Meio Ambiente, a ser realizada em Brasília nos dias 24 e 27 de outubro 2013 que definirá propostas para políticas públicas relacionadas ao meio ambiente. O tema da IV Conferencia é a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
“A BVRio e o MNCR esperam que os Créditos de Logística Reversa tornem-se mais uma opção ao dispor das empresas e da sociedade para contribuir para este grande desafio ambiental. Acreditamos que este mecanismo de mercado tenha grande potencial para permitir o cumprimento da PNRS de uma maneira eficiente”, comentou Luciana Freitas, BVRio.
O sistema de Créditos de Logística Reversa foi criado para facilitar o cumprimento das obrigações criadas pela PNRS. No que diz respeito a embalagens pós-consumo, a lei determina que fabricantes, distribuidores e comerciantes todos têm responsabilidade de “introduzir sistemas de logística reversa para assegurar a restituição dos resíduos sólidos para seu reaproveitamento ou outra destinação ambientalmente adequada”.
Os créditos serão emitidos e oferecidos à venda para empresas através da BVTrade – a plataforma eletrônica de negociação de ativos ambientais ligada à BVRio.
FIM
Sobre a BVRio: A bolsa de valores ambientais BVRio é uma associação sem fins lucrativos, que trabalha com mecanismos de mercado para facilitar o cumprimento de leis ambientais no Brasil. Através da sua plataforma BVTrade, a BVRio apoia o desenvolvimento de mercados ambientais em todo o Brasil. A plataforma já está cadastrando cooperativas e associações de catadores e pode ser acessada em: www.bvtrade.org.www.bvtrade.org (veja um vídeo sobre o sistema de Créditos de Logística Reversa através de link nesta página).
Sobre o MNCR: O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis é um movimento social que há cerca de 12 anos vem organizando os catadores de materiais recicláveis em todo o Brasil e conseguiu o reconhecimento da profissão. A lei que instituiu o PNRS garante aos catadores a participação na gestão dos resíduos como forma de inclusão social e econômica, reconhecendo a importância dos catadores na coleta seletiva e na logística reversa.
Sobre o acordo entre BVRio e MNCR: O Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e Bolsa de Valores ambientais do RJ uniram forças para desenvolver um mercado de Créditos de Logística Reversa que vai facilitar o cumprimento das obrigações criadas pela lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A lei determina que fabricantes, distribuidores e comerciantes têm a responsabilidade compartilhada de “introduzir sistemas de logística reversa para assegurar a restituição dos resíduos sólidos para seu reaproveitamento ou outra destinação ambientalmente adequada” no que diz respeito a embalagens pós-consumo.
Além de ter como meta acabar com os lixões até 2014, a lei que criou a PNRS em 2010 também inovou ao determinar que a implementação da logística reversa (processo em que as embalagens usadas fazem o caminho inverso e são coletadas para receber uma destinação final adequada) deve contemplar o envolvimento dos catadores, visando a sua emancipação econômica e incentivando a criação e o desenvolvimento de cooperativas. Hoje, associações e cooperativas de catadores já contribuem para a coleta e separação de uma fração significativa dos resíduos sólidos produzidos no país, mas recebem somente pela venda deste material a empresas recicladoras. Através dos Créditos de Logística Reversa, catadores serão também remunerados pelo serviço ambiental prestado à toda sociedade.
A BVRio e o MNCR entendem que os créditos de logística reversa são um instrumento importante para a aplicação efetiva da lei, ao promover a implementação eficiente de logística reversa e fomentar a emancipação econômica e desenvolvimento das cooperativas de catadores, através de um sistema transparente e eficiente de pagamento dos serviços ambientais prestados por eles à toda população.
Espera-se que o valor adicional gerado pela venda dos créditos servirá de incentivo para que mais resíduos sejam coletados e reciclados, com grande benefício ambiental. Ao mesmo tempo, a receita da venda dos créditos contribuirá para um aumento da renda dos catadores, cujo número no Brasil é estimado em 800 mil. A BVRio e o MNCR entendem que o sistema de créditos de logística reversa é um instrumento importante para a aplicação efetiva da lei, ao promover a implementação de um sistema eficiente de logística reversa e fomentar a emancipação econômica e desenvolvimento das cooperativas de catadores, através de um sistema transparente e eficiente de pagamento dos serviços ambientais prestados por eles à toda população.Os créditos serão emitidos e ofertados a através da BVTrade – a plataforma eletrônica de negociação de ativos ambientais da BVRio.
Para saber mais, visite:
www.bvrio.org 
www.bvtrade.org (veja um vídeo sobre o sistema disponível nesta página).

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O carrocentrismo na mira da crítica industrial



Ricardo Abramovay
Este artigo foi publicado hoje no site do jornal Folha de São Paulo, no canal sobre Empreendedorismo Social
A condenação do automóvel individual como forma predominante de transporte nas grandes cidades é cada vez mais ampla, incisiva e bem fundamentada. E o mais interessante é que essas críticas começam a tomar corpo no interior da própria indústria. Nos países desenvolvidos, o automóvel é frequentemente comparado ao tabaco, em função de seus efeitos danosos sobre a vida urbana.
É verdade que, em muitos casos, a indústria automobilística empenha-se no uso mais eficiente de energia e de materiais. Mas isso não impede Bill Ford, bisneto do fundador da companhia que leva seu nome, de fazer a constatação fundamental: uma vida urbana melhor é incompatível com o horizonte de que cada família possua dois carros. A Ford tem um plano de mobilidade em três etapas (para um período que vai além de 2025) cujas bases estão, simultaneamente, nos ganhos de eficiência que as tecnologias da informação trarão ao automóvel e, ao mesmo tempo, na perda do poder que ele tem hoje na matriz mundial dos transportes.
A partir de 2025, segundo a empresa, a paisagem dos transportes será outra, com pedestres, bicicletas, veículos individuais e transportes coletivos conectados em rede, com base em poderosos dispositivos digitais.
Da mesma forma que a IBM abandonou a produção de computadores, mas se manteve líder em serviços de informação em rede, a indústria automobilística vai ter que se reinventar.
Foi a mensagem do encontro promovido pela “Audi Urban Future Summit” (Audi) em 2010, no qual personalidades importantes da sociologia mundial como Saskia Sassen e Richard Sennet contribuíram para que fossem colocadas questões decisivas: será que as empresas automobilísticas de hoje produzirão carros no futuro? Isso convém à ambição de melhorar a mobilidade nas grandes cidades?
É verdade que, até aqui, a maior parte do setor tem fechado os olhos a essas perguntas. Um executivo da Volkswagen, diante das cotas de emplacamentoadotadas em grandes cidades chinesas, como reação à poluição e aos engarrafamentos no país, não hesitou em declarar que a empresa se dirigiria ao interior e que isso não prejudicaria a expansão de seus negócios. As perspectivas de ganho por parte da indústria são tão grandes que entre cidades sustentáveise ampliação na frota de automóveis a opção das montadoras deixa, infelizmente, pouca margem a dúvidas.
É muito importante, neste sentido, o documento recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), fruto do excelente estudo levado adiante pela equipe liderada por Sérgio Magalhães, arquiteto, urbanista, professor da FAU/UFRJ e ex-secretário de Habitação do Estado do Rio de Janeiro.
Na apresentação do trabalho, Robson Braga Andrade, presidente da entidade, afirma: “As cidades brasileiras estão parando”. Os ambientes urbanos são cada vez mais importantes na inovação, no emprego e em uma vida social mais rica e diversificada e, no entanto, as cidades, apesar de seu extraordinário dinamismo, são incapazes de oferecer horizontes promissores à maior parte dos que nelas habitam.
Na raiz do estrangulamento urbano está a maneira como se formou, no Brasil, o vínculo entre habitação e transportes. Em vez de concentrar o crescimento urbano ao longo dos equipamentos de transportes sobre trilhos, predominantes na primeira metade do século 20, as cidades brasileiras adotaram um caminho duplamente perverso.
Por um lado, promoveram formas de ocupação do espaço habitacional que aprofundou o abismo entre periferias, desprovidas de serviços públicos, com baixa densidade populacional e onde é precária a própria presença do Estado e áreas centrais com força econômica, para as quais é preciso deslocar-se diariamente num esforço extremamente penoso e que consome tempo imenso.
Por outro lado, submeteram-se ao império do transporte motorizado e sobre pneus, capaz de chegar justamente a essas áreas distantes, mas desprovidas das infraestruturas elementares de uma vida urbana civilizada.
De todas as habitações construídas no país, 80% não contaram com qualquer tipo de financiamento formal ou assistência pública. O problema desta autoconstrução, como bem coloca o documento da CNI, é que “a família produz o domicílio, mas só o coletivo produz infraestruturas”.
Mesmo que a renda dessas famílias tenha, recentemente aumentado, elas seguem, em sua maioria, distantes dos bens públicos e dos equipamentos coletivos sem os quais dificilmente se pode falar em cidadania. Saneamento precário, transportes de baixa qualidade, dificuldades crescentes com relação à segurança em áreas distantes dos grandes centros, estas são algumas das marcas decisivas das periferias brasileiras.
A elas acrescentam-se os congestionamentos, que comprometem não só a mobilidade dos que têm carros, mas, sobretudo, a dos que dependem desses transportes coletivos de baixa qualidade. Como os congestionamentos são cada vez maiores e atingem número crescente de cidades (e não só as metrópoles), cria-se imensa pressão para que as autoridades resolvam o problema do trânsito, abrindo novas vias que, em pouco tempo, acabam tão intransitáveis quanto aquelas às quais elas tinham, originalmente, a intenção de imprimir maior fluidez.
Transportes coletivos de alta qualidade, financiamento a habitações populares e, ao mesmo tempo, contenção do espalhamento geográfico das cidades, são os três vetores fundamentais para um ambiente urbano capaz de propiciar desenvolvimento a seus habitantes.
Apesar da profundidade do diagnóstico e da criatividade das propostas para enfrentar os problemas urbanos brasileiros, o texto da CNI deixa de levantar justamente a questão central que Bill Ford e os participantes do evento da Audi discutem: continuar aumentando a produção de automóveis individuais, será isso coerente com a inversão das prioridades do planejamento urbano em direção atransportes coletivos de alta qualidade?
O documento faz propostas interessantes à atuação do poder público para ampliar a mobilidade. Mas não é admissível que, diante de constatações tão ricas e bem fundamentadas, as atividades das montadoras sigam de vento em popa, com vasto apoio governamental, como se elas nada tivessem a ver com ocolapso das cidades que o estudo de sua representante maior, a CNI, denuncia.
Foto: Keng Susumpow / Creative Commons

sábado, 20 de agosto de 2011

“LIXOS URBANOS”

De: Jair do Amaral <jaircrescer@terra.com.br>


Algumas embalagens “ditas” recicláveis são verdadeiros “lixos urbanos”. 
Nas maiores e melhores das intenções as pessoas e cooperativas de reciclagem, acreditando na “causa” e na importância da coleta seletiva para geração de trabalho, renda e preservação ambiental, separam, coletam, processam, armazenam e “tentam” comercializar algumas embalagens que são, no mínimo, inconvenientes nesse meio ambiente.
O nosso e já bem conhecido símbolo da reciclagem está lá, demarcado nessas embalagens, mas as realidades logísticas, operacionais e mercadológicas desses resíduos os transformam em verdadeiros LIXOS no meio da reciclagem.
Cadê as empresas fabricantes destas embalagens ou que as utilizam para “abrigar” suas mercadorias ou produtos?
Cadê os fabricantes e utilizadores das embalagens laminadas que não oferecem as mínimas condições para que esses resíduos não vão parar no rejeito ou aterro sanitário? 
A destinação final é um transtorno pela falta de cliente. Quando este é localizado suas exigências de estoque e preços de compra são, no mínimo, uma brincadeira. As pessoas separam, a cooperativa coleta, tria, prensa, armazena e a comercialização é uma incógnita ou é feita só para não destinar ao aterro sanitário. As cooperativas são armazéns desse lixo, pois sua reciclagem não gera renda, só trabalho.
Nessa mesma toada podemos citar também as embalagens longa vida. Preço de mercado insignificante perante o trabalho que gera. Neste caso temos o agravante de que essas embalagens geram mau cheiro e atraem insetos e outros vetores que alimentam-se da podridão desses resíduos enquanto também é buscada uma alternativa rentável de comercialização. Difícil... Valor de mercado ridículo e exigências de estoque são para que as cooperativas fiquem com esse Lixo até não agüentar mais e “doar” para alguém.
Outra situação que é um absurdo é a do vidro. Esse material é o que mais gera acidente de trabalho numa cooperativa, é o que mais trabalho dá e o que menos renda gera. Sempre foi um transtorno. Para ser rentável, só vendendo para “garrafeiros”. Mas se uma cooperativa resolve fazer isto corre um sério risco de se ver envolvida com falsificação de bebidas, perfumes ou embalagens ilegais de palmitos, etc. 
Cadê os fabricantes e “utilizadores” destas embalagens? Onde está a logística reversa? Quando o valor desse “lixo” gerará renda para os catadores?
A incoerência é transparente quando falamos das tão famosas sacolinhas plásticas. Essa embalagem que tem (tinha) excelente valor de mercado e realmente gerava renda, além de trabalho, foram as escolhidas por supostos ambientalistas de escritório e especialistas na arte dos Erres (Rs) para demonstrar o desconhecimento na área.  Ainda bem que a justiça avaliou os empregos que estavam em jogo com esta ação paliativa de redução de resíduos. A utilização ou não do resíduo deve partir do consumidor e não proibir a embalagem, ao menos nos casos das verdadeiramente recicláveis e que geram renda na coleta seletiva. É a mesma situação de uma lei que proibiria a garupa nas motos para reduzir os assaltos. Prefiro que proibam as embalagens de salgadinhos, bolachas, bandejinhas de isopor, longa vida, etc…
Cadê os fabricantes ou utilizadores das embalagens de papelão colorido (misto – caixas de sapatos, pizzas, remédios, perfumes, enfim, quase tudo). Diferentemente das embalagens longa vida, essas não geram mau cheiro e não atraem ratos, baratas e insetos diversos, mas seu preço de mercado sempre foi ridículo e não vislumbramos a intervenção dos geradores desse “lixo” para que isso mude.
Cadê os fabricantes ou utilizadores das embalagens de Iogurtes (P.S.).  Mesma situação da longa vida, ou seja, difícil comercialização, péssimo na geração de renda  e atrativo de vetores diversos.
Podemos ir além e citar outros (isopor, jornal, revista, acrílico, tubos de TV e computador, lâmpadas, óleo vegetal usado, etc)... 
Já faz mais de um ano que a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada e este artigo/manifesto vem de quem trabalha e tenta fazer da coleta seletiva uma atividade rentável para populações em situação de risco social e que tem nesta atividade a clara situação prática do tripé da sustentabilidade (econômico, social e ambiental).
Chamo aqui a atenção desses fabricantes e marcas geradoras de resíduos não rentáveis e inconvenientes à coleta seletiva para que façam sua parte no compartilhamento da responsabilidade pra que estes “lixos urbanos” tornem-se resíduos recicláveis rentáveis.
JAIR DO AMARAL – COOPERADO FUNDADOR
COOPERATIVA DE RECICLAGEM CRESCER

domingo, 13 de março de 2011

Armário feito de fitas cassete, por Patrick Schuur

"Cassette Tape Closet", de Patrick Schuur. O armário é construído com 918 fitas cassetes que são parafusadas individualmente sobre um quadro de madeira.


(fonte: www.designboom.com)

Embalagem com argolas de garrafas reutilizadas – MIHO

A MIHO é um escritório de design que atua nas áreas de gráfico, produto e de moda. Trabalha conjugando estes serviços ao conceito de design consciente. Além de prestar serviços de design para outras empresas, a MIHO também desenvolve seus próprios produtos.
A MIHO, que desenvolveu a “Coleção MIHO 2009”, estimula o consumo consciente e sustentável. É por isso que defende o direito do cliente de se informar sobre todas as etapas da produção e todo o material utilizado.

As garrafas utilizadas na produção das embalagens são recolhidas diretamente após o uso pelos próprios fornecedores (buffets e adegas). Este vidro é recolhido e levado ao parceiro instituto Kairós, que faz a limpeza e o corte dos anéis.
A folha de fibra de bananeira e sua viscose são produzidas no instituto Kairós. Seu processo de produção é 100% artesanal, desde a colheita das folhas em cultura até o seu cozimento e secura ao sol.
Fabricado pela empresa Menegotti, a malha utilizada nas roupas (linha Ecologic) é 100% de algodão orgânico e seu tingimento é feito por pigmentos naturais, como a clorofila, imbuía, cebola, ipê roxo e cedro rosa dentre outros.
A tinta utilizada nas estampas é produzida industrialmente, constitui-se de pigmento orgânico e fixador ainda químico.
O catálogo manteve o conceito. Produzido pela empresa Sulamericana com papel Silprint 120g/m 100% reciclado.
(fonte: www.miho.com.br)

terça-feira, 8 de março de 2011

As polêmicas sacolinhas plásticas


Um dia desses fui a um daqueles eventos que oferecem aos participantes uma sacola reutilizável de algodão e escutei alguém dizendo: “Esta é uma sacola ecológica, reciclável e reciclada!”. Escutando isso, lembrei que existe uma grande confusão sobre o assunto. A maioria dos leitores com certeza já sabe, mas não custa esclarecer que uma sacola de algodão não é reciclada, e muito menos reciclável. Há alguns anos as sacolas plásticas começaram a ser consideradas vilãs. Estima-se que sejam utilizados vários trilhões de sacolas plásticas todos os anos, sem existir uma postura consciente por parte do consumidor. A sacola plástica recebe muitas críticas por ter uma decomposição muito lenta e permanecer durante anos poluindo o meio ambiente, por ser derivada do petróleo e ter um alto custo energético de produção e por emitir uma quantidade considerável de CO² em todo o seu ciclo de vida. Como as sacolas plásticas muitas vezes vão parar em lugares inadequados, animais são prejudicados por se alimentar de plástico depositado na natureza.
Devido a todos esses fatores, a mídia tem criticado este material e privilegiado as sacolas reutilizáveis de algodão. No entanto, nem a mídia e nem as empresas que entram na onda da sacola de algodão para fazer marketing (ou greenwashing em muitos casos) fazem uma análise crítica para oferecer as informações completas para que o consumidor tome uma decisão consciente.
Não pretendo aqui defender nem criticar uma ou outra, mas fazer um contraponto para promover a reflexão do leitor enquanto consumidor e formador de opinião e mostrar que a equação não é tão simples como dizer que as sacolas plásticas são vilãs e sacolas de algodão são heroínas. A escolha do material da sacola deve ser feita pensando em todo o seu ciclo de vida. O fato de uma sacola de algodão não ser feita a partir do petróleo não quer dizer que ela é a melhor opção, como muitos alegam.

Matéria-Prima
É importante lembrar que se todos passarem a utilizar sacolas de algodão, isso poderá gerar um impacto significativo na produção de algodão, incentivando a monocultura, provocando alterações de preços e prejudicando o meio ambiente por questões econômicas. O tratamento do algodão industrializado ou até mesmo artesanal pode passar por processos químicos como de alvejamento, que geram poluição e emissão de efluentes.

A Escolha
É claro que sacolas de plástico que são utilizadas apenas por alguns minutos para carregar as compras de mercado devem ser evitadas e que o consumo deve ser reduzido, mas é preciso escolher de que forma fazer isso sem gerar mais impacto. Ao chegar em um caixa de supermercado, queremos muitas vezes nos livrar da culpa por utilizar as mal faladas sacolinhas plásticas e queremos fazer bonito para os que estão ao nosso redor. Então vemos o “brilho ecologicamente correto” de uma sacolinha pendurada no caixa com uma etiqueta de preço que anuncia o produto a 2 reais. Vamos para casa leves e sem culpa, mas não pensamos em outros aspectos que deveria pensar um consumidor consciente: De onde veio a sacola, será que foi da China? Quanto custa a matéria-prima e como os trabalhadores envolvidos no processo foram remunerados? Eles tem direitos trabalhistas? A sacola é durável? E o que eu vou fazer com ela depois, ela é reciclável?

O Descarte
As sacolas de algodão, assim como muitos tipos de sacolas reutilizáveis que vem sendo vendidas como ecológicas, não podem ser recicladas. Se todos passarem a utilizar as sacolas de algodão, milhões de sacolas de algodão irão para os lixões e aterros sanitários, dificultando a degradação deste material, assim como acontece com as sacolas plásticas. As sacolas de algodão, muitas vezes recebem aplicação de tintas serigráficas, alças coloridas, etiquetas, outros tipos de tecido e detalhes que podem conter metais pesados ou outros componentes que contaminam o lençol freático e o meio ambiente.

Emissão de CO²
Li esta semana na Independent, uma matéria que fala sobre uma pesquisa que compara a emissão de CO² por 7 tipos de sacolas e alega que as sacolas plásticas emitem menos carbono que as sacolas de papel e de algodão. A matéria não apresenta dados confiáveis da pesquisa e não pode ser considerada como verdadeira sem saber como foi calculada essa emissão, mas não deixa de incentivar a todos a avaliarem o ciclo todo, com mais informações do que fornecem a televisão e as empresas que nos vendem seus produtos.


Ao utilizar sacolas plásticas deve-se evitar o excesso, usar somente o necessário e reutilizar as sacolas o maior número de vezes possível e, ao descartar, seja responsável pela destinação correta da sacola para a reciclagem. Se muitas sacolas vão parar no meio ambiente e prejudicam os animais, elas não o fazem por conta própria, mas sim porque alguém jogou em lugares inadequados. Se não tem coleta seletiva na sua rua, leve o seu material reciclável e as sacolas plásticas até um ponto de entrega voluntária ou para uma cooperativa.
Ao optar por sacolas reutilizáveis, dê preferência para aquelas feitas de material reciclado ou reciclável e, principalmente, opte pela qualidade. Uma sacola reutilizável só é ecológica ser for daquele tipo que nos acompanha a vida toda. Escolha sacolas com costuras bem feitas, materiais duráveis, e com formatos bastante úteis para carregar as compras. Em cidades menores ou para ir a lugares próximos como a feira por exemplo, pode ser adotada uma solução mais tradicional como os famosos carrinhos de feira. O importante não é usar as sacolas ou soluções que estão na moda, mas sim avaliar o que é melhor para a sua realidade e para o meio ambiente.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Que tal aproveitar o finalzinho do lápis?

Sempre chega uma hora em que ele fica tão curto que não dá mais para escrever. E agora? Vejam algumas idéias interessantes!
A primeira é o 1+1=1, criação dos designers Hoyoung Lee, Youngwoo Park e Jinyoung Park. Uma invenção pra lá de simples e ao mesmo tempo genial que une os pedaços de lápis para criar um novo.



Outro produto interessante, também desenvolvido pelo designer Hoyoung Lee é a Impressora Pencil Printer. Ela imprime utilizando restos de lápis, separando o grafite da madeira, e ainda tem a opção de apagar alguma parte para corrigir erros.

Pencil Printer

Vídeo demonstrando como a impressora funciona – 2ª Versão

Mais informações clique aqui.

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