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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Entrevista David Katz



Por que você decidiu investir estes anos de sua vida no Plastic Bank? Em outras palavras, por que você faz o que você faz ?
Eu não acho que eu decidi,achei necessário. Lembro do dia em que eu disse "alguém deveria fazer algo sobre isso", e naquele momento percebi que esse alguém precisava ser eu mesmo... a pessoa que poderia mudar o mundo. Plastic Bank é um modo de vida, é uma forma de viver.

Como você explicaria o que você está fazendo para os seus filhos, David?
Meus filhos ficam tão inspirados por mim, eles estão tão orgulhosos do meu trabalho. Eles pensam que têm um pai muito famoso (risos) e é muito bom! Eles sabem que estamos ajudando as pessoas sairem da pobreza e evitando que os plásticos acabem nos oceanos, para eles isso é o suficiente. Eles não precisam saber como, eles sabem o porquê. Eles pagam um preço de não ter um pai em casa, mas sabem que é importante e estão dispostos a pagar o preço.

E o preço que você paga estar longe deles às vezes?
É um grande preço ... mas eles sabem que eu estou fazendo isso por todos, eles sabem que eu estou fazendo isso pelos filhos dos outros, para que seus filhos possam se orgulhar de seus pais.

Como você me explicou antes, em 2050, haverá mais plástico do que peixes no oceano. Você acha que nós podemos pará-lo? Como? O que precisa mudar?
Temos que fechar a torneira, mas nós não ouvirmos o chamado. Muitas pessoas dizem para si mesmas "alguém tem que fazer algo sobre isso", mas poucas pessoas falam "eu faço". Isso é o que tem que mudar. Temos que iluminar o espírito da pessoa para que percebam que eles são os únicos que podem fazê-lo.
Há muitas pessoas que pensam sobre os problemas do mundo, mas precisamos de mais pessoas dispostas a agir para mudar o mundo, que pensem em soluções. Precisamos de mais pessoas pensando soluções. ("solution minded")

E como Plastic Bank vai ajudar a fazer isso acontecer?
Nos juntamos, nós unimos as pessoas, criamos a economia circular do material plástico, para reconstruir o valor que o indivíduo tem, que a marca tem, que o plástico tem, que o catador tem ... que a comunidade tem. Nós possibilitamos que todos se reúnam para fazer a mudança. Muitas mãos tornam o trabalho mais fácil.

Plastico Social é um conceito que é atraente, mas qual é o valor acrescentado que tem? Por um lado, para as marcas, e por outro para a sociedade?
Bem, não se esqueça que esta é uma solução de negócios e que o que nós estamos criando o engajamento das marcas. Temos de nos concentrar nelas para o negócio, porque foram os negócios que nos trouxeram até aqui. Então, nós temos que mudar a forma como nós estávamos pensando nos negócios, porque foi o consumismo, foi o desejo de todos de ter cada vez mais, que nos levou a um ponto onde os oceanos estão poluídos, onde milhões de animais estão morrendo a cada ano. Então, precisamos criar uma solução de negócios para resolver o problema também.
Não podemos apenas esperar que as pessoas deixem de usar plástico e ser altruísta e pensar "Oh, não, pare de usar plástico!", isso nunca vai acontecer. Temos que tornar mais fácil para as pessoas a fazerem uma mudança, e isso é Plastico Social.
Plastico Social, de certa forma, permite que a marca se identificar com o consumidor, e isso começa com a gente. É quando você, e eu, e seus amigos dizem "Não, eu vou só comprar material que veio do oceano, eu só vou comprar material que faça o bem para o mundo". Precisamos ser conscientes das nossas decisões, e os impactos delas.

As marcas estão interessadas no Plastico Social?
Eles estão muito interessados, isso é a parte mais emocionante. Eles escutam o consumidor, eles sabem o que o consumidor quer. Estamos onde estamos hoje, porque o consumidor tem exigido, porque alguém disse "Eu quero sabão mais barato", "Eu quero uma água mais conveniente" ... Assim, as empresas foram, e forneceram aos consumidores. Mas isso mudou, agora nós estamos dizendo "Não, eu quero um produto mais sustentável", "Não, eu quero um produto que faz bem do mundo". E quanto mais formos, mais pedirmos, mais envolvermos o resto da nossa comunidade, nossas famílias e nossos amigos, mais rápido vai acontecer esta mudança.

Certo. Mas este consumidores que estamos falando, são os de países desenvolvidos, os de mercados mais desenvolvidos. Como é o Plastic Bank vai mudar a vida das pessoas das comunidades mais vulneráveis que não são consumidores destas marcas?
Essa é a parte bonita certo? A parte bonita é que você não pode convencer alguém contra a sua vontade. Quando uma pessoa não tem comida suficiente, seus filhos não estão na escola, não tem remédio e seu filho está em casa doente, então você não se preocupam com o plástico no oceano.
Mas se você pode olhar para o material e dizer: "Oh, há dinheiro nesse material para mim. E se eu  pegá-lo, então eu posso colocar meu filho na escola, consigo os remédios para meu filho doente, isso me dá esperança ". Então isto é diferente. Eu não quero que eles façam isso para o planeta, eu quero que eles façam isso por si mesmos.

Se não estou errado, o plástico tem ainda mais valor do que o aço. Porque não percebemos isso?
Certo! O quilo do plástico é 10 vezes o valor do aço, e o aço é um dos materiais mais reciclados deste mundo. Quando olhamos para ele, um pequeno bloco de aço é 50 kg, mas 50 kg de plástico precisão de um grande espaço, e isso é parte do desafio, mas isso não diminui o valor, o valor ainda está lá.

Última pergunta David, Quando você estaria pronto para deixar Plastic Bank ir?
(Silêncio) Você nunca quer deixar seus filhos irem. Eles se tornam adultos por conta própria, o meu papel é prepará-los para isso. Mas eu nunca vou deixá-lo ir.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Créditos de Catadores recebem maior votação na Conferência de Meio Ambiente do RJ


Proposta de Créditos de Logística Reversa será levada para Conferência Nacional de Meio Ambiente
Rio de Janeiro, 15 de setembro de 2013
A proposta de uso de Créditos de Logística Reversa dos Catadores, desenvolvida conjuntamente pelo Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e bolsa de valores ambientais BVRio, recebeu a maior votação no segmento Criação de Emprego e Renda, e segundo lugar entre todos os participantes da Conferência de Meio Ambiente do Rio de Janeiro. (Veja vídeo em www.youtube.com/users/canalbvrio ).
A conferencia se realizou na UERJ neste ultimo final de semana, e contou com a participação de cerca de 400 delegados, representando entidades do setor público, privado e terceiro setor, incluindo cooperativas de catadores, de vários municípios do Estado do Rio de Janeiro.
As propostas selecionadas nesta conferencia serão encaminhadas para a IV Conferência Nacional de Meio Ambiente, a ser realizada em Brasília nos dias 24 e 27 de outubro 2013 que definirá propostas para políticas públicas relacionadas ao meio ambiente. O tema da IV Conferencia é a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
“A BVRio e o MNCR esperam que os Créditos de Logística Reversa tornem-se mais uma opção ao dispor das empresas e da sociedade para contribuir para este grande desafio ambiental. Acreditamos que este mecanismo de mercado tenha grande potencial para permitir o cumprimento da PNRS de uma maneira eficiente”, comentou Luciana Freitas, BVRio.
O sistema de Créditos de Logística Reversa foi criado para facilitar o cumprimento das obrigações criadas pela PNRS. No que diz respeito a embalagens pós-consumo, a lei determina que fabricantes, distribuidores e comerciantes todos têm responsabilidade de “introduzir sistemas de logística reversa para assegurar a restituição dos resíduos sólidos para seu reaproveitamento ou outra destinação ambientalmente adequada”.
Os créditos serão emitidos e oferecidos à venda para empresas através da BVTrade – a plataforma eletrônica de negociação de ativos ambientais ligada à BVRio.
FIM
Sobre a BVRio: A bolsa de valores ambientais BVRio é uma associação sem fins lucrativos, que trabalha com mecanismos de mercado para facilitar o cumprimento de leis ambientais no Brasil. Através da sua plataforma BVTrade, a BVRio apoia o desenvolvimento de mercados ambientais em todo o Brasil. A plataforma já está cadastrando cooperativas e associações de catadores e pode ser acessada em: www.bvtrade.org.www.bvtrade.org (veja um vídeo sobre o sistema de Créditos de Logística Reversa através de link nesta página).
Sobre o MNCR: O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis é um movimento social que há cerca de 12 anos vem organizando os catadores de materiais recicláveis em todo o Brasil e conseguiu o reconhecimento da profissão. A lei que instituiu o PNRS garante aos catadores a participação na gestão dos resíduos como forma de inclusão social e econômica, reconhecendo a importância dos catadores na coleta seletiva e na logística reversa.
Sobre o acordo entre BVRio e MNCR: O Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e Bolsa de Valores ambientais do RJ uniram forças para desenvolver um mercado de Créditos de Logística Reversa que vai facilitar o cumprimento das obrigações criadas pela lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A lei determina que fabricantes, distribuidores e comerciantes têm a responsabilidade compartilhada de “introduzir sistemas de logística reversa para assegurar a restituição dos resíduos sólidos para seu reaproveitamento ou outra destinação ambientalmente adequada” no que diz respeito a embalagens pós-consumo.
Além de ter como meta acabar com os lixões até 2014, a lei que criou a PNRS em 2010 também inovou ao determinar que a implementação da logística reversa (processo em que as embalagens usadas fazem o caminho inverso e são coletadas para receber uma destinação final adequada) deve contemplar o envolvimento dos catadores, visando a sua emancipação econômica e incentivando a criação e o desenvolvimento de cooperativas. Hoje, associações e cooperativas de catadores já contribuem para a coleta e separação de uma fração significativa dos resíduos sólidos produzidos no país, mas recebem somente pela venda deste material a empresas recicladoras. Através dos Créditos de Logística Reversa, catadores serão também remunerados pelo serviço ambiental prestado à toda sociedade.
A BVRio e o MNCR entendem que os créditos de logística reversa são um instrumento importante para a aplicação efetiva da lei, ao promover a implementação eficiente de logística reversa e fomentar a emancipação econômica e desenvolvimento das cooperativas de catadores, através de um sistema transparente e eficiente de pagamento dos serviços ambientais prestados por eles à toda população.
Espera-se que o valor adicional gerado pela venda dos créditos servirá de incentivo para que mais resíduos sejam coletados e reciclados, com grande benefício ambiental. Ao mesmo tempo, a receita da venda dos créditos contribuirá para um aumento da renda dos catadores, cujo número no Brasil é estimado em 800 mil. A BVRio e o MNCR entendem que o sistema de créditos de logística reversa é um instrumento importante para a aplicação efetiva da lei, ao promover a implementação de um sistema eficiente de logística reversa e fomentar a emancipação econômica e desenvolvimento das cooperativas de catadores, através de um sistema transparente e eficiente de pagamento dos serviços ambientais prestados por eles à toda população.Os créditos serão emitidos e ofertados a através da BVTrade – a plataforma eletrônica de negociação de ativos ambientais da BVRio.
Para saber mais, visite:
www.bvrio.org 
www.bvtrade.org (veja um vídeo sobre o sistema disponível nesta página).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Isenção para produtos de material reciclado pode ser votada em fevereiro


Agência Senado
Produtos fabricados com material reciclado ou reaproveitado podem ficam livres da maioria dos impostos previstos atualmente, como o de Exportação (IE); o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); e o ICMS recolhido pelos estados. A proposta de emenda à Constituição (PEC 1/2012), do senador Paulo Bauer (PSDB-SC), já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em setembro do ano passado, e está pronta para ser votada em Plenário.
A carga tributária viria das contribuições, caso do PIS/Pasep e da Cofins, que financia a seguridade social. O Imposto de Importação (II) também foi mantido. O texto original, que previa a isenção, foi alterado pelo relator, senador Amando Monteiro (PTB-PE), com o objetivo de estimular o reaproveitamento e a reciclagem no Brasil.
Paulo Bauer defende a desoneração desses produtos para o crescimento das riquezas acompanhado da preservação ambiental, o que segundo ele, deve ser incentivado pelo governo.
O senador destaca em seu texto a preocupação com o destino do lixo e a importância de uma consciência ecológica frente à “cultura do descartável e do desperdício”. Paulo Bauer também alerta para a necessidade de uma sociedade mais sustentável diante do esgotamento do estoque de recursos da natureza.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), apoia a proposta e vai pedir que a PEC seja votada assim que forem retomados os trabalhos do Senado, em fevereiro. Para ele, a isenção do ICMS deve estimular todo o processo de reciclagem e produção, desde o catador até a indústria final.
A PEC 1/2012 ainda precisa passar por dois turnos de votação no Plenário do Senado antes de seguir para a Câmara dos Deputados.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A crise financeira de 2008 e os catadores de materiais recicláveis


A crise financeira mundial de 2008 afetou diretamente o mercado da reciclagem no Brasil e a viabilidade econômica de muitas organizações de catadores.
Diante disso, em 2009, o IPEA escreveu um artigo abordando os efeitos da crise e a importância da remuneração dos catadores pelos serviços prestados, reivindicação do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) que está sendo discutida até hoje junto ao Governo Federal.
Para entender mais sob o tema, acesse o link abaixo:
PDF Estudo IPEA

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Catadores se preparam para a exportação de sucatas

No dia 23 de novembro de 2012, representantes do Movimento Nacional dos Catadores (MNCR) realizaram visita técnica a empresas de comércio de sucatas para aprender como organizar a produção de sucata das cooperativas para exportação.
O ponto alto da visita foi a empresa RFR Com. e Reciclagem Metais Ltda, que se comprometeu em apoiar os catadores nesse processo. Na empresa, eles conhecerem um equipamento chamado Shredder, que mói e descontamina a sucata ferrosa, preparando-a para a exportação (fotos abaixo).

(Foto: Cicla Brasil)

(Foto: Cicla Brasil)

A visita foi promovida pelo Sindicato das Empresas de Sucata Ferro e Aço, Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço e Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.
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