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terça-feira, 21 de maio de 2013

Dia Mundial dos Catadores é celebrado em toda América Latina


(Fonte: MNCR)
Mobilizações lembram o trabalho como solução para o ambiente
Na terça-feira, 1 março, é lembrado na América Latina o Dia Mundial do Catadores, em memória do massacreocorrido na Colômbia, onde 10 trabalhadores foram mortos.
A data de recoloca a ênfase no trabalho dos catadores de materiais reciclaveis e seu impacto para reduzir as emissões de gases de efeito estufa dentro.
Com a ênfase no reforço da sua organização, melhora nas condições de trabalho e obtenção do reconhecimento pela contribuição que oferecem ao meio ambiente, está sendo comemorado neste 01 de março um novo Dia Mundial da Base de Recicladores da América Latina. Trabalho realizado por mais de 15 milhões de pessoas em todo o mundo, ou seja, cerca de 1% da humanidade (segundoo Banco Mundial), que coleta, tria  e recicla os resíduos gerados pelas cidades.
A reciclagem de base, bem como sua contribuição para a ecologia, contribui para as economias locais, tanto individual como socialmente,  gerando grande quantidade de emprego  e economia no governo estadual.  De acordo com orelatório apresentado pela Organização das Nações Unidas, ONU,  a reciclagem está se tornando um líder de soluçõespara combater o desemprego e pobreza, afetando positivamente o ambiente.
Daí a importância do reconhecimento da sociedade para essa categoria e seu trabalho como ator fundamental na gestão de resíduos. A inclusão social passa pela responsabilidade dos Estados de proporcionar as condições básicas e de segurança para o melhor desenvolvimento do trabalho de reciclagem urbana.
Organizada a nível continental, A Rede Latinoamericana de Recicladores e membros da Aliança Global dos Recicladores, que reúne membros da Ásia e África,  relevam para este oficio como ator histórico da cadeia produtiva da reciclagem, mas sobretudo como chave fundamental para mitigação de gases com efeito de estufa e poluição por resíduos não tratada. Para fazer isso, exigiram a criação de um fundo global para promover a reciclagem social, a compostagem de resíduos orgânicos e reutilização de recursos descartáveis, cujo impacto deve formalizar este trabalho e contribuir mais eficazmente para o meio ambiente.
Na terça - feira, 1 de março, acontecerá a uma série de ações em comemoração ao Dia Mundial. Entre os eventosprogramados incluem marchas e dia de reflexão na Colômbia, Brasil, Chile, Peru, Bolívia e Equador.

O que é lembrado no Dia Mundial do Catador?

Este dia, foi criada no Primeiro Encontro Internacional de Catadores, que reuniu 34 países na Colômbia em 2008 em memória da tragédia nesse país, onde cerca de 10 trabalhadores foram mortos dentro de uma universidade.
Os Catadores foram enganados por pessoas da Universidade Livre de Barranquilla, convidando-os a juntar-se estas unidades para a entrega de reciclagem de materiais. Uma vez lá dentro, foram espancados até a morte com paus etiros para venderem seus corpos para pesquisa e tráfico de órgãos. A situação trágica foi relatado para a polícia porum sobrevivente que após o ataque fingiu estar morta e fugiu para a denúnciar.
Isto é o que hoje reúne os recicladores do mundo como base, o que demonstra claramente a vulnerabilidade da profissão e da urgência da formalização deste importante trabalho.
Acompannhe as mobilizações por: www.redrecicladores.net

sábado, 26 de janeiro de 2013

Importantes matérias-primas de eletrônicos já estão em estado crítico de escassez no mundo




O aumento da produção e do consumo de bens eletrônicos pode levar o mundo a uma situação preocupante: risco de escassez de recursos naturais, devido aos baixos índices de reaproveitamento e reciclagem dos produtos. Esse é o cenário apresentado pela ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais
A afirmação é baseada em relatório da Comissão Europeia, segundo o qual 14 matérias-primas minerais, entre elas ouro, cobre, cromo, nióbio e lítio, já estão em estado crítico de escassez no mundo. “Se a extração desordenada prosseguir, o ouro pode se extinguir em menos de duas décadas”, aponta Carlos Silva Filho, diretor executivo da ABRELPE, ao destacar que o metal é um dos principais componentes das TVs de LCD e LED.
Silva Filho alerta ainda que, se não houver uma alteração nos hábitos e padrões de produção e consumo, os índices negativos tendem a se agravar, e apenas um planeta não será suficiente para satisfazer a demanda da sociedade. “De acordo com recente pesquisa à qual tivemos acesso, se todos os habitantes tivessem, por exemplo, os mesmos hábitos de consumo dos Emirados Árabes Unidos, seriam necessários mais de cinco planetas Terra”, compara.
A solução para esse problema contempla, entre outros aspectos, a implementação da gestão de resíduos sólidos baseada em uma hierarquia de ações que priorize a redução, o reuso e a reciclagem, aliada a sistemas de logística reversa. “No caso específico do Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em vigor desde 2010, estabelece regras para isso. Também já estão sendo estabelecidos os primeiros acordos setoriais que vão pautar a logística reversa de uma série de produtos”, explica o diretor, ao salientar que a adoção da logística reversa, assim como adaptações no processo produtivo, são fundamentais para garantir o reaproveitamento dos materiais, principalmente dos metais e minerais ameaçados.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a geração de lixo eletrônico no mundo cresce cerca de 40 milhões de toneladas por ano, dos quais 80% acabam em países em desenvolvimento e são responsáveis por 70% dos metais pesados encontrados nos aterros e lixões, que contaminam solos e recursos hídricos. Atualmente, o Brasil produz mais de 100 mil toneladas de lixo eletrônico por ano, e está entre os países que mais descartam televisores – 700g/habitante/ano –, ficando atrás apenas do México e da China.
“O setor de resíduos tem o potencial de alterar esse quadro dramático e preocupante de escassez de uma série de matérias-primas e além disso também contribuir de maneira efetiva e diferenciada para a redução das emissões de gases de efeito estufa, desempenhando um papel fundamental no encaminhamento de ações direcionadas ao desenvolvimento sustentável”, conclui o Silva Filho.

Fonte: http://ciclovivo.com.br


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Dica de livro: Cradle to Cradle

Cradle to Cradle. Remaking the way we make things de William Mcdonough e Michael Braungart.
(Do berço ao berço - Refazendo a forma como fazemos coisas)
Livro do arquiteto William McDonough e do químico Michael Braungart, é um manifesto pedindo a transformação da indústria humana através de um design ecologicamente inteligente. Fala que o sistema industrial que hoje apenas toma, faz e joga fora (takes, makes and wastes) pode se tornar um criador de bens e serviços que geram valor ecológico, social e econômico.
Cradle to Cradle fala sobre mudar o nosso sistema baseado no berço ao túmulo (sistemas que não consideram a utilização ou eliminação do produto (e seus materiais) depois que o consumidor o utiliza. Eles mostram como resíduo pode ser “comida” e retornar para os nossos sistemas técnicos (bens de consumo) e os sistemas naturais (edifício do solo, qualidade da água, etc.). Trata-se de “refazer a maneira como fazemos as coisas.”
Um dos temas-chave do livro é que apenas minimizar os danos não é bom o suficiente. Em vez disso, os autores propõem que mudemos os nossos processos de design de modo que a reutilização e a inserção de materiais pós consumo sejam construídos diretamente no processo de criação. Em vez de minimizar resíduos, podemos criar valor.
Cradle to Cradle vai além da noção de ter a reciclagem como etapa final em um fluxo de processo. O livro se baseia na ideia de que os resíduos não precisam existir. Nós podemos projetar nossas vidas e produtos em torno da noção que nossos resíduos podem voltar a alimentar outro sistema. Desde a maneira como vivemos até como projetamos e produzimos nossos bens.
O mundo natural fornece o modelo para o que os autores sugerem. O uso de nutrientes naturais, como energia solar e eólica pode ser observado desde a vida de um inseta até uma cerejeira. Eles sugerem que a chave é trabalhar junto, e não contra. A natureza respeita a biodiversidade, a elegância e abundância do que está ao nosso redor. E devemos começar nosso processo de design com a noção de que há uma coisa chamada resíduo.
Indústrias que respeitem a diversidade se envolvem com materiais locais e seus fluxos de energia, junto com as forças locais sociais, culturais e econômicas. Em vez de ver-se como entidades autônomas, sem relação com a cultura ou a paisagem em torno deles.
Ao longo do livro ele discute a noção dos princípios de design que podem ser perigosos. Como o “downcycling” (reciclagem com perda de qualidade técnica), que apenas adia o problema. Os produtos se tornam cada vez mais instáveis (e ambientalmente problemáticos) quando são reciclados.
Ele detalha sobre o que significa projetar produto com design que é apenas menos ruim, mas sim 100% bom. Os autores olham para a arquitetura e como podemos projetar construções que levam em conta a diversidade das suas configurações, e as necessidades naturais de seus habitantes.
O livro termina com “Cinco Passos para o Eco-efetividade”, um resumo elegante de como colocar os princípios filosóficos discutidos no livro em prática. Algumas delas, como “Passo 2: Siga informadas preferências pessoais” pode parecer um pouco incomum, defendendo que usamos o nosso sentido estético, as nossas observações e nosso próprio senso de prazer para orientar nossas decisões de design. Enquanto outros, como “Passo 4: reinventar” pode parecer demasiado amplo para o leitor médio. No entanto, o livro é cheio de exemplos específicos, principalmente da indústria, que é fácil imaginar o que eles estão defendendo a funcionar na prática.
Afinal, o próprio livro não é apenas projetado para se encaixar na filosofia do “berço ao berço”, também está escrito de uma forma que é fácil de ler, linguisticamente elegante e atraente.
Direcionado para designers, engenheiros e formadores de opinião. O texto é claro, simples e adequado para todos os níveis de conhecimento. Cada leitor encontrará coisas diferentes no livro. Ele serve como um guia para o desenvolvimento sustentável. Desde o seu lançamento em 2002 tem influenciado várias pessoas a repensar os seus processos.

Sobre o livro

A edição americana, publicada em 2002, é um exemplo prático do que é pregado no livro. Eles consideraram tudo, desde o “papel”, tinta, cola, e fim de vida dos materiais. Impresso em papel sintético, feito a partir de resinas plásticas e fibras inorgânicas. É a prova d’água e durável. Não usa fibras de madeira ou tintas feitas com materiais perigosos.
Não apenas pode ser reciclado como também é considerado como um nutriente técnico, pois pode ser reutilizado indefinidamente e transformado em outros livros. O design é de Charles Melcher da Melcher Media.
Já a edição inglesa, de 2008, eles escolheram produzir o livro com papel reciclado e certificação FSC. Na introdução do livro eles explicam a mudança. Na edição americana de 2002 eles queriam demonstrar que a mudança era possível e funcionava. O livro de papel sintético, segundo eles, não é economicamente viável, ainda mais se quem compra vai guardá-lo para sempre e não vai reaproveitar o material. Faria mais sentido para jornais e revistas que, após serem lidos, seriam devolvidos para a reciclagem. A tinta pode ser lavada e reutilizar a página. Não é melhor ou pior, apenas algo para se pensar.

Sobre os autores

William McDonough é arquiteto, e o principal fundador da William McDonough + Partners, Arquitetura e Design Comunidade, com sede em Charlottesville, Virgínia. De 1994 a 1999 atuou como reitor da escola de arquitetura na Universidade de Virginia. Em 1999 a revista Time reconheceu-o como um “Herói para o Planeta”, afirmando que “seu utopismo é baseada em uma filosofia que, demonstrada de maneira prática, está mudando o design do mundo.” Em 1996, ele recebeu o Prêmio Presidential Award for Sustainable Development, a mais alta honraria ambiental dada pelos Estados Unidos.
Michael Braungart é um químico e fundador da Environmental Protection Encouragement Agency (EPEA), em Hamburgo, Alemanha. Antes de iniciar EPEA, ele era o diretor da seção de química do Greenpeace. Desde 1984 ele tem dado palestras em universidades, empresas e instituições de todo o mundo sobre os novos conceitos críticos para a química ecológica e gestão de fluxo de materiais. Dr. Braungart é o destinatário de inúmeras homenagens, prêmios e bolsas de estudo da Fundação Heinz, a W. Alton Jones Foundation e outras organizações.
Em 1995, os autores criaram McDonough Braungart Design Chemistry, uma empresa de desenvolvimento de produto e sistemas que auxilia as empresas na implementação de seu protocolo de design sustentável. Seus clientes incluem a Ford Motor Company, a Nike, Herman Miller, a BASF, DesignTex, Pendleton, Volvo, e a cidade de Chicago. O site da empresa éwww.mbdc.com

Estrutura do livro

  1. This book is not a tree (edição americana)
    Introduction to the 2008 Edition (edição inglesa)
  2. Why being “Less Bad” is no good
  3. Eco-effectiveness
  4. Waste Equals Food
  5. Respect Diversity
  6. Putting Eco-Effectiveness into Practice

Ficha técnica

Título: Cradle to Cradle: Remaking the way we make things.
Autor
: William Mcdonough e Michael Braungart
Editora: North Point Press
Formato: 208 páginas, 14,4 x 22,3 cm
ISBN: 9780865475878
Edição:
1ª 2002 (North Point Press – EUA)
2ª 2008 (Vintage – Inglaterra)
ABNT: MCDONOUGH, William; BRAUNGART, Michael. Cradle to Cradle: Remaking the way we make things. Edição 1 ed.. Nova Iorque: North Point Press, 2002. ISBN 9780865475878.
O livro ainda está disponível somente em inglês. Para comprar a versão física ou digital acesse o link:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=9094&tipo=25&nitem=618293
Fonte: http://embalagemsustentavel.com.br


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Solteiros reciclam menos que casados, mostra pesquisa feita no Reino Unido


Segundo estudo realizado no Reino Unido, mulheres reciclam mais

Por mais incrível que possa parecer, a situação amorosa das pessoas tem correlação direta com seus hábitos de reciclagem. Esse foi o resultado de uma pesquisa que faz parte do projeto Undestanding Society do Conselho de Pesquisa Econômica e Social do Reino Unido, realizado pela Universidade de Essex.
Dos 2.000 solteiros que participaram da pesquisa, apenas 65% afirmaram que reciclam o lixo doméstico. Deles, 69% mulheres solteiras fazem algum tipo de reciclagem, enquanto 58% dos homens dizem fazer o mesmo. Por outro lado, 79% dos 3.000 casais responderam que reciclam.
O que se percebeu nessa pesquisa é que as mulheres são as que mais reciclam o lixo doméstico. De acordo com Hazel Pettifor, que liderou a pesquisa, isso provavelmente acontece por uma questão cultural. Enquanto as mulheres preparam os alimentos e lavam a louça, momentos em que a reciclagem é mais propícia, o homem tem o costume de apenas levar o lixo para fora.
A pesquisa também mostra que quando os casais distribuem as tarefas domésticas, os homens adquirem o hábito de reciclar. Mas mesmo nesse caso, as mulheres mostram mais disposição para separar e reciclar o lixo doméstico.
Trata-se de estudo baseado em uma sociedade, a princípio de hábitos bastante diferentes dos nossos e generalizar nunca parece um caminho prudente, mas enquanto estudos dessa natureza não aparecem por aqui, vale à pena refletirmos sobre a condição apurada naquela cultura. Importa não deixar que o fato de você ser solteiro ou homem afete seus hábitos de reciclagem. Nunca é tarde para começar.

(Fonte: http://www.ecycle.com.br)


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A crise financeira de 2008 e os catadores de materiais recicláveis


A crise financeira mundial de 2008 afetou diretamente o mercado da reciclagem no Brasil e a viabilidade econômica de muitas organizações de catadores.
Diante disso, em 2009, o IPEA escreveu um artigo abordando os efeitos da crise e a importância da remuneração dos catadores pelos serviços prestados, reivindicação do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) que está sendo discutida até hoje junto ao Governo Federal.
Para entender mais sob o tema, acesse o link abaixo:
PDF Estudo IPEA

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Brasileiros estão dispostos a separar o lixo em casa, mostra pesquisa Ibope


Pesquisa aponta ainda que 36% não concordam com a existência de uma taxa do lixo
28 de novembro de 2012 
Fonte: Agência Brasil
SÃO PAULO - A maioria (85%) dos brasileiros que ainda não conta com coleta seletiva estaria disposta a separar o lixo em suas casas, caso o serviço fosse oferecido nos municípios, aponta pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 28, pelo Programa Água Brasil. Apenas 13% dos entrevistados declararam que não fariam a separação dos resíduos e 2% não sabem ou não responderam. O estudo, encomendado ao Ibope, entrevistou 2.002 pessoas em todas capitais e mais 73 municípios, em novembro do ano passado.
Apesar da disposição em contribuir para a destinação adequada dos resíduos sólidos, o porcentual dos que não têm meios para o descarte sustentável chega a 64% dos entrevistados. A quantidade de pessoas que contam com coleta seletiva ou que têm algum local para deixar o material separado representa 35% da amostra.
Em relação aos produtos que costumam ser separados nessas casas, as latas de alumínio ficam em primeiro lugar, com 75%, seguidas pelos plásticos (68%), papéis e papelões (62%) e vidros (55%). Os eletrônicos, por outro lado, são separados por apenas 10% dos entrevistados. Cerca de 9% dos entrevistados não separam nenhum material mesmo que o serviço de coleta seletiva esteja implantado na sua região.
Dos que contam com o serviço de coleta seletiva, metade (50%) dos casos tem a prefeitura como responsável pelo trabalho. Catadores de rua (26%), cooperativas (12%) e local de entrega (9%) aparecem em seguida dentre os meios de coleta disponíveis.
O estudo aponta também que a proposta de uma tarifa relacionada ao lixo divide opiniões. A ideia de que quem produz mais resíduos deve pagar uma quantia maior é aprovada completamente por 13% dos entrevistados, 23% concordam parcialmente. Os que discordam completamente a respeito do pagamento da taxa somam 36%. Há ainda os que não concordam, nem discordam (16%) e os que discordam em parte, com 10%.
Na hora de consumir, práticas sustentáveis ainda são deixadas de lado. Preço, condições de pagamento, durabilidade do produto e marca lideram as preocupações do consumidor brasileiro. O valor do produto, por exemplo, é considerado um aspecto fundamental por 70% dos entrevistados. Características do produto ligadas à sustentabilidade, no entanto, como os meios utilizados na produção, o tempo que o produto leva para desaparecer na natureza e o fato de a embalagem ser reciclável, ficam em segundo plano.
Os entrevistados responderam ainda quais produtos devem ser menos usados em suas casas nos próximos três anos. O campeão foi a sacola plástica. O produto é comprado com frequência em 80% das residências, mas 34% dos entrevistados esperam reduzir o consumo. Em seguida aparecem os copos descartáveis (31%), bandejas de isopor (22%) e garrafas PET (21%). No fim da lista, entre os que devem permanecer com alto porcentual de consumo, estão os produtos de limpeza perfumados. Apenas 9% estimam que irão reduzir o uso desses materiais.
O Programa Água Brasil é uma iniciativa do Banco do Brasil, da Fundação Banco do Brasil, da Agência Nacional de Águas (ANA) e da organização não governamental WWF-Brasil, com intuito de fomentar práticas sustentáveis no campo e na cidade.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O carrocentrismo na mira da crítica industrial



Ricardo Abramovay
Este artigo foi publicado hoje no site do jornal Folha de São Paulo, no canal sobre Empreendedorismo Social
A condenação do automóvel individual como forma predominante de transporte nas grandes cidades é cada vez mais ampla, incisiva e bem fundamentada. E o mais interessante é que essas críticas começam a tomar corpo no interior da própria indústria. Nos países desenvolvidos, o automóvel é frequentemente comparado ao tabaco, em função de seus efeitos danosos sobre a vida urbana.
É verdade que, em muitos casos, a indústria automobilística empenha-se no uso mais eficiente de energia e de materiais. Mas isso não impede Bill Ford, bisneto do fundador da companhia que leva seu nome, de fazer a constatação fundamental: uma vida urbana melhor é incompatível com o horizonte de que cada família possua dois carros. A Ford tem um plano de mobilidade em três etapas (para um período que vai além de 2025) cujas bases estão, simultaneamente, nos ganhos de eficiência que as tecnologias da informação trarão ao automóvel e, ao mesmo tempo, na perda do poder que ele tem hoje na matriz mundial dos transportes.
A partir de 2025, segundo a empresa, a paisagem dos transportes será outra, com pedestres, bicicletas, veículos individuais e transportes coletivos conectados em rede, com base em poderosos dispositivos digitais.
Da mesma forma que a IBM abandonou a produção de computadores, mas se manteve líder em serviços de informação em rede, a indústria automobilística vai ter que se reinventar.
Foi a mensagem do encontro promovido pela “Audi Urban Future Summit” (Audi) em 2010, no qual personalidades importantes da sociologia mundial como Saskia Sassen e Richard Sennet contribuíram para que fossem colocadas questões decisivas: será que as empresas automobilísticas de hoje produzirão carros no futuro? Isso convém à ambição de melhorar a mobilidade nas grandes cidades?
É verdade que, até aqui, a maior parte do setor tem fechado os olhos a essas perguntas. Um executivo da Volkswagen, diante das cotas de emplacamentoadotadas em grandes cidades chinesas, como reação à poluição e aos engarrafamentos no país, não hesitou em declarar que a empresa se dirigiria ao interior e que isso não prejudicaria a expansão de seus negócios. As perspectivas de ganho por parte da indústria são tão grandes que entre cidades sustentáveise ampliação na frota de automóveis a opção das montadoras deixa, infelizmente, pouca margem a dúvidas.
É muito importante, neste sentido, o documento recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), fruto do excelente estudo levado adiante pela equipe liderada por Sérgio Magalhães, arquiteto, urbanista, professor da FAU/UFRJ e ex-secretário de Habitação do Estado do Rio de Janeiro.
Na apresentação do trabalho, Robson Braga Andrade, presidente da entidade, afirma: “As cidades brasileiras estão parando”. Os ambientes urbanos são cada vez mais importantes na inovação, no emprego e em uma vida social mais rica e diversificada e, no entanto, as cidades, apesar de seu extraordinário dinamismo, são incapazes de oferecer horizontes promissores à maior parte dos que nelas habitam.
Na raiz do estrangulamento urbano está a maneira como se formou, no Brasil, o vínculo entre habitação e transportes. Em vez de concentrar o crescimento urbano ao longo dos equipamentos de transportes sobre trilhos, predominantes na primeira metade do século 20, as cidades brasileiras adotaram um caminho duplamente perverso.
Por um lado, promoveram formas de ocupação do espaço habitacional que aprofundou o abismo entre periferias, desprovidas de serviços públicos, com baixa densidade populacional e onde é precária a própria presença do Estado e áreas centrais com força econômica, para as quais é preciso deslocar-se diariamente num esforço extremamente penoso e que consome tempo imenso.
Por outro lado, submeteram-se ao império do transporte motorizado e sobre pneus, capaz de chegar justamente a essas áreas distantes, mas desprovidas das infraestruturas elementares de uma vida urbana civilizada.
De todas as habitações construídas no país, 80% não contaram com qualquer tipo de financiamento formal ou assistência pública. O problema desta autoconstrução, como bem coloca o documento da CNI, é que “a família produz o domicílio, mas só o coletivo produz infraestruturas”.
Mesmo que a renda dessas famílias tenha, recentemente aumentado, elas seguem, em sua maioria, distantes dos bens públicos e dos equipamentos coletivos sem os quais dificilmente se pode falar em cidadania. Saneamento precário, transportes de baixa qualidade, dificuldades crescentes com relação à segurança em áreas distantes dos grandes centros, estas são algumas das marcas decisivas das periferias brasileiras.
A elas acrescentam-se os congestionamentos, que comprometem não só a mobilidade dos que têm carros, mas, sobretudo, a dos que dependem desses transportes coletivos de baixa qualidade. Como os congestionamentos são cada vez maiores e atingem número crescente de cidades (e não só as metrópoles), cria-se imensa pressão para que as autoridades resolvam o problema do trânsito, abrindo novas vias que, em pouco tempo, acabam tão intransitáveis quanto aquelas às quais elas tinham, originalmente, a intenção de imprimir maior fluidez.
Transportes coletivos de alta qualidade, financiamento a habitações populares e, ao mesmo tempo, contenção do espalhamento geográfico das cidades, são os três vetores fundamentais para um ambiente urbano capaz de propiciar desenvolvimento a seus habitantes.
Apesar da profundidade do diagnóstico e da criatividade das propostas para enfrentar os problemas urbanos brasileiros, o texto da CNI deixa de levantar justamente a questão central que Bill Ford e os participantes do evento da Audi discutem: continuar aumentando a produção de automóveis individuais, será isso coerente com a inversão das prioridades do planejamento urbano em direção atransportes coletivos de alta qualidade?
O documento faz propostas interessantes à atuação do poder público para ampliar a mobilidade. Mas não é admissível que, diante de constatações tão ricas e bem fundamentadas, as atividades das montadoras sigam de vento em popa, com vasto apoio governamental, como se elas nada tivessem a ver com ocolapso das cidades que o estudo de sua representante maior, a CNI, denuncia.
Foto: Keng Susumpow / Creative Commons

sábado, 1 de setembro de 2012

Programas de logística reversa já são desenvolvidos por 60 das 100 maiores empresas do país


Foto: Cicla Brasil


Rio de Janeiro – Sessenta das 100 maiores empresas do país já desenvolvem alguma atividade relacionada à operação de logística reversa (prevê o recolhimento e descarte pelo fabricante do resíduo pós-consumo), segundo pesquisa divulgada hoje (22) no 18º Fórum Internacional de Logística, no Rio de Janeiro. De acordo com o levantamento, 40% ainda não têm programas com esse objetivo.
A pesquisa foi feita pelo Instituto de Logística e Supply Chain (cadeia de fornecimento), que é o Instituto Ilos. A instituição se dedica à geração de conhecimento e soluções em logística e é liderado por Paulo Fleury, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
“O fato de essas grandes empresas já terem alguma atividade mostra uma predisposição em cumprir o que determina a lei”, analisou a consultora do Instituto Ilos e responsável pela pesquisa, Gisela Sousa, em entrevista à Agência Brasil. De cada dez entrevistados, seis apontaram a lei como principal motivação para implantar a logística reversa.
A consultora ressalvou, porém, que embora a maioria das empresas já desenvolva alguma atividade referente ao recolhimento e descarte de material no pós-consumo, em atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), nem todas estão no mesmo estágio. “Estão com alguma atividade mas não necessariamente é uma atividade muito representativa”.
Cerca de 70% das consultadas querem gastar, “no máximo”, R$ 400 mil por ano para fazer uma operação de logística reversa, revelou Gisela Sousa. Ressaltou que a maior parte das companhias está preocupada com a questão da imagem. Têm a consciência que, atualmente, deixar de fazer alguma coisa associada às áreas ambiental e social pode ter um impacto direto na sua imagem institucional.
Segundo ela, muitas empresas veem a questão da sustentabilidade como uma forma de ganhar mercado, além da conscientização em relação à preservação do meio ambiente. “Se você vai olhar para o futuro, não tem como deixar de lado a questão da sustentabilidade, porque isso tem sido cada vez mais relevante para os novos consumidores”. Dentro desse contexto, os maiores motivadores para realizar um trabalho de logística reversa de resíduos são a marca e o aumento das vendas. “As empresas já encaram isso como uma necessidade, uma solicitação do próprio consumidor”.
Entre os principais obstáculos apontados pelas empresas para investirem na logística reversa, está o da questão geográfica. Alegam que como o consumidor está espalhado pelo país, isso dificulta um pouco a operação e eleva custos, em razão da baixa escala de transporte. A necessidade de instalação de pontos para a coleta do resíduo foi apontada como barreira por 53% das companhias consultadas. Para 45%, falta mais apoio governamental para a coleta seletiva.
Gisela Sousa declarou ainda que os detalhamentos da implementação das medidas de logística reversa serão definidos nos editais previstos para serem publicados entre novembro e dezembro próximos, a partir da assinatura dos acordos setoriais com o governo.
O estudo mostra que nem todas as empresas fazem um trabalho de coleta de resíduos que envolva a participação do consumidor brasileiro. Somente 23% das empresas pesquisadas disseram ter iniciativas de coleta que incluem o público. Em 42% das companhias, os materiais são coletados no varejo, enquanto 27% instalam pontos de coleta em suas próprias dependências.
A reutilização dos resíduos na produção é considerada uma operação positiva por 21% das companhias, devido à redução de custos. Já 17% se revelam motivadas pela perspectiva de aumento da receita. Ainda de acordo com a pesquisa, menos de 40% das indústrias que operam no Brasil têm um setor responsável pela logística reversa dos resíduos no pós-consumo.


Fonte: Agencia Brasil

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil


Edição: Aécio Amado

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Imagens do lixo no interior do país

Os municípios de todo o país enfrentam um enorme desafio na gestão dos resíduos sólidos urbanos diante da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) e a Cicla Brasil segue conhecendo a realidade para buscar formas de contribuir com este processo.
Abaixo você pode ver uma amostra das imagens registradas no interior de Goiás em agosto de 2012.











quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Vídeo - Rede Latinomericana por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis


Entre os dias 29 e 31 de agosto, aconteceu em Salvador o II Encontro da Rede Latinoamericana por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis.
Na ocasião, foi lançado o vídeo institucional que traz um histórico da Rede e expressa a convergência de objetivos dos Movimentos integrantes, através da diversidades de meios e ações através dos quais mobilizam a sociedade para a construção de modelos de desenvolvimento mais justos e sustentáveis para as cidades deste continente.
Para saber mais acesse: www.encuentroredciudades.com
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